Análise das Finalizações na Final do Mundial na Tailândia 2012. Brasil vs Espanha
Considerando
as ações de finalização como objetivo principal da fase ofensiva do jogo, estas
podem ser consideradas importantes indicadores do rendimento das equipes em
jogos de futsal, responsáveis também pela classificação final nas competições.
Assim, torna-se relevante discriminar os diversos aspectos técnico-táticos
relacionados às situações de finalização, a fim de termos um levantamento mais
detalhado sobre a forma como as equipes finalizaram na final do Mundial de 2012.
"Esse processo
de observação, obtenção e análise das ações presentes em jogos tem sido
denominado, com frequência, por análise de jogo, bem como observação de jogo ou
análise notacional (SOARES; GRECO, 2010)."
Muitas equipes
esportivas utilizam esse processo por ser possível obter informações a respeito
do aprimoramento da eficácia do atleta, além de permitir uma melhor compreensão da dinâmica de jogo e, desse modo, aperfeiçoar o
desempenho individual e coletivo.
Neste
contexto, considerando a importância da finalização em jogos de futsal, seus diversos
aspectos técnico-táticos inerentes e sua possível influência no rendimento da
equipe, justifica-se a utilização do processo de análise de jogo para verificar
a participação das finalizações como um dos fatores de rendimento das equipes.
Baseando-se
nas informações acima, o presente estudo consiste na análise notacional manual de ações ofensivas de
finalização da Final da Copa do Mundo de Futsal FIFA de 2012, utilizando um
campograma para anotá-las, assim como seus resultados.
O campograma é
utilizado como uma representação gráfica de uma quadra ou espaço de jogo em
tamanho reduzido, que divide a quadra em setores por meio de linhas imaginárias
que podem ou não utilizar demarcações existentes como referências, para a
realização de análises técnico-táticas.
Há diversos
usos para os campogramas existentes, seja para observar áreas de atuação
durante a partida, ou de ocorrência de determinadas ações nas regiões
determinadas. As variáveis selecionadas são representadas graficamente no
campograma, seja por notação computadorizada ou pela notação manual.
Para o estudo,
foi utilizada a planilha de scout elaborada
por Vilhena et al. (2005), que utiliza as próprias demarcações oficiais da
quadra como referências para a formação dos setores imaginários onde as ações
são assinaladas.
Além disso,
foi proposta a divisão das metas dos goleiros com linhas imaginárias em dez setores
de tamanho igual, a fim de determinar os setores onde as finalizações que se
converteram em gols se mostraram mais freqüentes.
As variáveis observadas foram:
1. Setor de Finalização –
é observado o local onde ocorre o ato de finalização em si. No presente estudo
foi utilizado um campograma dividido em 10 possíveis zonas de finalização
(Figura 1).
1. Situação da Finalização
– foi considerada a circunstância que permitiu a finalização à meta adversária
Análise Tática da Seleção Brasileira no Mundial de 2008

Não há lugar como o lar. Nunca a máxima popular esteve tão ligada à Seleção Brasileira de futsal em 2008. Aproveitando o fato de sediar a competição em 2008, a equipe do técnico Paulo César de Oliveira, o PC, superou a Espanha nos pênaltis, em decisão realizada no Maracanãzinho, e retomou a condição de melhor do mundo em uma modalidade onde o País está acostumado a mandar.
A campanha do Brasil mostrou que o País está de volta à boa forma. A Seleção caiu no Grupo A, teve 100% de aproveitamento, marcou 48 gols e sofreu apenas um nos quatro primeiros jogos realizados. O desempenho chamou a atenção dos rivais.
Mais do que recuperar a hegemonia, o título brasileiro finalmente coroa a carreira de Falcão. Principal jogador da modalidade, o atleta chamou a atenção pelos dribles e jogadas.
1- Defesa
Neste Mundial o Brasil apostou por uma defesa mais pressionante, alternando com uma defesa meia quadra. Os pontos fundamentais de sua defesa foram à pressão ao jogador com posse de bola, buscando trocas defensivas, realizando uma defesa com a intenção de recuperar a posse de bola mediante interceptações, antecipações a marcação. Na meia quadra defensiva, quando a bola entrava no pivô, tentavam sempre cercar e fechar as linhas de passes e realizar ajudas defensivas continuas.
Jogos Pedagógicos – Utilizando meios táticos individuais em benefício coletivo
Para muitos autores espanhóis, as organizações do jogo podem ser dividias em meios táticos, que organizam-se em táticas individuais e coletivas, sendo que os meios táticos coletivos subdividem-se em meios táticos de grupo (envolvendo 2 ou 3 jogadores adjacentes) e de equipe (envolvendo toda a equipe).
Ao falar de Táticas Individuais, podemos destacar, por exemplo as fintas e desmarques.
Um primeiro olhar nos trás uma curiosidade: fintar não será uma ação técnica? Desmarcar-se também não seriam?
A princípio parece que podemos simplesmente colcoar cones ao chão e orientar para que nossos alunos “driblem” esses cones, fixando e deslocando rapidamente de um lado para o outro, conseguindo assim ensinar-los a fintar.
Sobre a ótica do ensino tradicional, isso parece adequado, pois ensinamos a técnica da finta e com o conhecimento de como essa técnica se organiza, depois veremos se há transferência imediata para o confronto de 1×1.
Ensinada dessa forma, a finta é técnica e não tática.
Porém, se a finta for uma ação individual que, porém, gera benefícios coletivos (grupo e equipe), essa finta passa a ser entendida como tática e não como técnica. Assim, um gesto intencional, que tange à ação de uma determinada técnica para resolver um determinado problema ganha uma conotação de benefício para o restante da equipe, e não apenas para o executor da ação.
Dessa forma, numa ótica de ensino pautada no Jogo, ensinar a fintar, que será nosso exemplo, incidirá no ensino de muitos outros meios táricos do jogo, que terão na finta a origem de um benefício que pode ser transmitido para toda equipe.
1º SEMINÁRIO DE FUTSAL DO INTERIOR PAULISTA
O Instituto Social – desenvolvimento, ensino e pesquisa, juntamente com as Prefeituras Municipais de Tarumã e Palmital e a Autarquia Municipal de Esportes de Assis, trazem para o interior de São Paulo o 1º Seminário de Futsal, com intuito de difundir o esporte e possibilitar a capacitação específica de profissionais da área e afins.
O seminário será oferecido a educadores físicos, formados ou estudantes, para quem trabalha com o futsal em todos os níveis, da base ao alto nível, bem como aos amantes do esporte.
O evento deste ano será realizado na cidade de Tarumã/SP, com suas aulas práticas no CIEC – Centro Integrado de Educação e Cultura; e suas aulas práticas no Ginásio Municipal de Esportes de Tarumã – Ernesto Paitl.
Maiores Informações e Inscrições pelo site www.institutosocial.com.br
ü PROGRAMAÇÃO
ALGUMAS SOLUÇÕES METODOLÓGICAS PARA A ORGANIZAÇÃO DOS DIVERSOS TIPOS DE JOGO
Ao referirmo-nos às dificuldades de fazermos dos Jogos uma solução de aprendizagem pertinente, colocamos duas questões metodológicas fundamentais que constituem problemas para os treinadores. Uma delas prende-se com a gestão das diversas variáveis da estrutura dos Jogos Desportivos Coletivos (JDC) que ensina e que através das quais os treinadores pode manipular determinados ênfases/objetivos a explorar no treino.
A perspectiva de Jogo que aqui pretendemos deixar, é uma visão lata que não se restringe apenas à de situação de Jogo Formal. Esta é apenas mais uma situação que se distingue das demais pelas suas
características de especificidade, relativamente à forma competitiva do JDC. Parece-nos possível ver no Jogo, como meio de treino que temos ao dispor, três formas pelas quais se podem adaptar à ideia que pretendemos utilizar: as Formas Jogadas, os Jogos Reduzidos e os Jogos Modificados.
Mini-jogo não é “só” brincadeira e nem “apenas” coisa de criança
Existem algumas iniciativas nacionais para a divulgação do futsal através da idéia do “mini-jogo da modalidade”.
No entanto, uma dúvida pode surgir: Como essas aulas se desenvolvem? Os jogos são parte fundamental das aulas, ou treina-se o aluno para que ele possa jogar bem o mini-jogo?
Ainda outra questão: Qual é a função do mini-jogo nessa idéia de ensino? Ser mais uma forma de acesso ao Futsal ou ser o objetivo máximo de desempenho de crianças de uma determinada faixa etária, como se essa fosse uma espécie de futsal formal para aquela determinada idade?
Destaco essa questões pois sou um de tantos defensores da idéia do ensino dos Jogos Desportivos Coletivos e, por conseguinte, do Futsal, através de atividades jogadas que possibilitem ao aluno encontrar as respostas mais coerentes para a resolução dos problemas de ordem cognitiva (planejamento) e motora (atitude), ambas indissociáveis se pensarmos a melhor resposta possível de ser encontrada.
Esse tipo de abordagem, ainda que enfrente alguma resistência por parte de professores e treinadores de Futsal, vem sendo colocada em evidência, e, portanto, discutida e aos poucos inclusas em aulas e treinamentos.
No entanto, corre-se um grande risco devido à falta de estudos sobre esse tipo de abordagem, no que se diz respeito à utilização de jogos adaptados e reduzidos: acreditar que seja necessário capacitar pessoas (crianças, jovens, adultos, terceira idade) para jogar bem esse tipo de abordagem, através da sistematização de atividades que os façam desenvolver de maneira otimizada as atividades reduzidas.
Ou seja, tornar jogos reduzidos um fim e não um meio de aprendizado.
Categorias Pré-Mirim e Mirim – Principais Objetivos Pedagógicos
Resolvi escrever um pouco sobre aquilo o que considero que, dentro do que estudo sobre Pedagogia do Esporte, deve ser compreendido como conteúdo de aprendizagem em categorias menores no Futsal (pré-mirim e mirim).
Características desta faixa etária quanto à compreensão do jogo:
Alunos com 10, 11 e 12 anos (em sua maioria) entendem que o jogo é centrado na bola, logo, a ideia de fazer gols e proteger seu alvo é secundária à intenção de ter a bola. Dessa forma, podemos entender que as crianças não jogam o Futsal em sua lógica cabal nesse período, mas sim um jogo de bola com os pés em que ter a bola é o objetivo primário.
Objetivos Gerais de Aprendizagem:
Desenvolver nos alunos a compreensão de que o Futsal é uma relação entre bola e os alvos do jogo, de forma que ter a bola é bom, mas deixá-la aproximar-se muito de seu gol não é o ideal, ao mesmo tempo em que tentar ter a bola o mais próximo do alvo adversário facilita que se atinja vantagem favorável no placar da partida.
Princípios Ofensivos a serem Ensinados:
RECOMENDAÇÃO: “ ENSINANDO FUTSAL COM AS CAPACIDADES COORDENATIVAS”
Todo mundo gostou do nosso novo Curso On Line – “ ENSINANDO FUTSAL COM AS CAPACIDADES COORDENATIVAS” . E você já se inscreveu? Ao se inscrever, recebe grátis, um segundo curso – “ASPECTOS DA EVOLUÇÃO TÁTICA DO FUTSAL NO BRASIL” ,que é o nosso depoimento,sobre as características táticas das equipes de Futsal, desde a década de 70.Entender a história tática do Futsal, é projetar melhor o futuro. Não se esqueça que o preço promocional de lançamento – R$ 49,00 pelos 2 cursos vai terminar !!! Vamos lançar as versões em Espanhol e Inglês, dentro de alguns dias.
Veja os depoimentos de algumas das mais de 200 pessoas que se inscreveram, e gostaram do curso !!!
Veja os depoimentos de algumas das mais de 200 pessoas que se inscreveram, e gostaram do curso !!!
Andrea Giba; Já comprei e recomendo!! Giba - Real Atletick Futsal Osasco.
Rogério Velinho; Prezado Professor Ferreti, adquiro seu livro e ficarei honrado em fazer este curso. concordo com sua abordagem em relação ao ensino inicial do futsal. principalmente porque ele hoje esta servindo de base fundamental para o Futebol de campo
Jose Guilherme Leal; Bem voltando a seus cursos que são Espetaculares quem não faz não sabe o que perde porém, aqui vivemos em um amadorismo muito grande pela maioria dos clubes e creio que você pode Ministrar o Melhor Curso do mundo porém se os clubes não compreenderem certas coisas fica difícil. O aluno acaba o curso e vai trabalhar no clube X , lá os dirigentes querem títulos para chupetinha, Fraldinha, Pré-Mirim e Mirim o treinador no caso então já quer inserir na cabeça de uma criança de 7 anos planos tático mirabolantes ao invés de preparem estas crianças para o futuro a maioria chega na categoria adulta cheia de deficiências que você tem que tirar creio que você poderia tentar com sua influencia iniciar a mudar esta mentalidade. Você sabe muito bem que na Europa , vou citar a Espanha as crianças jogam por prazer, com alegria sem cobranças e aprendem muito mais eu e alguns jogadores Brasileiros que nos relacionava-mos bem montamos uma escolinha de 7 a 12 anos onde só aplicávamos a parte técnica, fazia-mos pequenos torneios sem cobranças táticas e trabalhamos muito a cidadania formamos bons atletas.Agora infelizmente por problemas passageiros de saúde estou inativo. Parabéns por tudo que fazes pelo FUTSAL sou um eterno admirador seu e o FUTSAL precisa muito de seu trabalho. Abraços e mais uma vez parabéns.
lfbarrosp@hotmail.com - Boa tarde Prof Ferretti-Excelente trabalho, li os dois artigos e logo entregarei a redação! Parabéns! Espero que os próximos possam vir melhores do que esse que o sr. Escreveu.
Se você quer aproveitar esta ótima oportunidade para investir na sua capacitação,clique no link ao lado e inscreva-se.
Tipos de Fixação II – Fixação Par e suas Consequências Coletivas
Em um artigo anterior falamos sobre a fixação ímpar e fiz uma “brincadeira” para saber o qual poderia ser o outro tipo de fixação. Ora, se existe fixação ímpar, também existe a fixação par.
Conceituando novamente fixação, vou descrever aqui aquilo o que foi apresentado no artigo 1 dessa série de artigos:
Fixar nada mais é do que através de movimentações do jogador com bola, este chamar a atenção de seus marcadores, fixado-os às suas movimentações.
Ou seja, quando eu realizo uma fixação, na realidade estou fixando meu oponente (ou meus oponentes) a mim, de forma que ele se preocupe tanto comigo que minha equipe tenha benefícios táticos.
Dessa forma, como tudo no jogo de Futsal, uma ação individual do jogador com bola, poderá gerar ganhos coletivos para sua equipe.
Falaremos agora da fixação par.
Fixação par é a ação tática individual que tem como objetivo fixar o marcador direto, ou seja, aquele que defende a zona que eu ataco.
Porém, o simples ato de fixar par não garantirá benefícios individuais ou coletivos à equipe que ataca.
Abaixo, podemos ver o que acontecerá em um jogo de Futsal se simplesmente for realizada fixações pares por todos os jogadores da equipe.
Figura 1. Quadra 4×4 com fixações pares apenas
Futsal, um jogo de Perguntas e Respostas
A compreensão do Futsal como um fenômeno sistêmico é um dos principais enfoques desse espaço virtual.
Sistêmico porque ele não pode ser compreendido de maneira fracionada. Jogar Futsal não é um simples somatório de fundamentos, mas sim uma grande teia complexa de ações que geram re-ações, às quais novas ações e novas re-ações se originam, dentro de um círculo ininterrupto de novos problemas e novas soluções.
Um dos principais fatores que demonstram a característica sistêmica do jogo de Futsal está na sua compreensão como um “jogo de perguntas e respostas”.
Existe uma infinidade de jogos de perguntas e respostas. Se pensarmos sob a ótica da “família dos jogos” defendida por Scaglia (2003) pode-se até mesmo colocar o Futsal dentro de uma mesma família de jogos do que, por exemplo, o famoso jogo do “é, não e por que”.
No jogo de “é, não e porque”, jogam pelo menos dois jogadores. Um jogador é o responsável por formular perguntas e o outro é aquele que as responde. No entanto, a regra do jogo determina que aquele que responde não utilize os termos “é, não e porque”.
Um exemplo de execução desse jogo, onde “P” é o jogador que pergunta e “R” é o jogador que responde:
P: Qual seu nome?
R: João.
P: Porque você tem esse nome?
R: Minha mãe quis assim.
P: Mas você não gosta desse nome, né?
R: Sim.
P: Não entendi muito bem, você gosta do nome, é isso?
R: Sim.
P: Ué, você me disse antes que não gostava e agora gosta? Não estou te entendendo.
R: Nem eu.
P: (…)
R: (…)
O grau de complexidade e o jogador – uma relação interdependente
Conforme pode ser observado em textos anteriores, a abordagem deste ambiente de discussão sobre o ensino do Futsal está diretamente associada ao seu ensino a partir de atividades jogadas, adaptadas, enfatizando o ensino do modo de fazer (a técnica em si) em simbiose com as razões do fazer (decisões que envolvam pressupostos cognitivos e conhecimento tático).
Essa forma de abordar o ensino do Futsal, e dos Jogos Desportivos de maneira geral, baseia-se em pressupostos teóricos e metodológicos diferentes daqueles presentes no ensino do jogo sobre a vertente tecnicista.
Ambas são duas formas bastante diferentes de abordar o ensino do jogo e, por conseguinte, são pautadas em diferentes métodos de ensino: o método parcial e o método global.
O método parcial compreende a metodologia analítico-sintética, cujas principais características são a tendência “etapista” (em etapas) do ensino, através de uma fragmentação do conhecimento do jogo em níveis de capacidade de aprendizagem e também em ações que para serem aprendidas devem ser perfeitamente executadas através do seu ensino isolado – Chutar, driblar, passar, etc..
Trata-se, portanto, de uma abordagem baseada em conceitos tecnicistas e desenvolvimentistas.
O método global possui dentre suas formas metodológicas o global-funcional, que aborda o ensino do jogo através de atividades jogadas, com espaços reduzidos, regras simplificadas, variação do número de participantes e tendo como principal característica a manutenção da lógica do jogo nessas atividades, promovendo o transfer do aprendido em aulas e treinos para o jogo, desmistificando aquela idéia de que treino é treino e jogo é jogo.
Trata-se de uma abordagem carregada de conceitos sistêmicos e integrativos que valorizando a presença da complexidade como algo desafiador e capaz de promover a aprendizagem.
Essas abordagens (analítico-sintética e global-funcional), dentre tantas diferenças teóricas, possuem, no entanto, um termo que é comum a ambas, mas cujo conceito deve ser devidamente compreendido – a presença da COMPLEXIDADE.
A abordagem analítico-sintética perpetua que a complexidade deve ser crescente ao longo do processo de ensino-aprendizagem. Cada vez que o aluno apreende uma nova atividade o grau de complexidade deve elevar-se, pautando-se que o referencial de complexidade está exclusivamente ligado à forma como a atividade é concebida em sua estrutura e organização. Ou seja, quem regula o grau de complexidade da aula é a atividade, devendo partir do simples para o complexo.
Na abordagem global-funcional a presença da complexidade nas atividades está intimamente ligada aos praticantes da atividade e esta deve estar sempre presente nas aulas desafiando e estimulando os alunos a resolverem os problemas do jogo.
Dessa forma, além da estrutura e organização da atividade, a complexidade só pode ser compreendida através dos constrangimentos vividos pelo aluno na atividade.
Dessa forma, a atividade não pode ser julgada como uma atividade “simples” ou menos complexa sem que seja considerada a sua interação com os alunos que a vivenciam, fazendo com que o conceito de complexidade na abordagem global-funcional não possua uma tendência evolutiva e “etapista”, estando ela (a complexidade) sempre presente em níveis de interação que sejam capazes de gerar desafios e desequilíbrios ao aprendiz.
Uma atividade 1×1, por exemplo, numa visão tecnicista parece uma atividade improvável de ser vivenciada por alunos que estejam desenvolvendo conceitos de aprendizagem coletiva, por ser classificada como uma atividade de “baixa” complexidade.
No entanto, pensando sobre o ponto de vista de um atacante da ala esquerda, como justificar que ele não consegue vencer sempre seu marcador direto ao realizar uma marcação individual (no marcador direto) e tentar dissuadí-lo com uma finta?
Sobre o ponto de vista do marcador (marcador direto do posto específico), como justificar que ele não consegue ter êxito defensivo toda vez que tem que marcar o atacante de sua zona?
Simples, porque essa é uma relação complexa, dotada de variáveis que mesmo um jogador atacante e um defensor podem variar a transformar de tal forma a tornar essa atividade motivante, desafiadora e, portanto, complexa e longe de ser uma atividade simples dentro de um processo de ensino-aprendizagem.
Um bom defensor, fintando um mau marcador, tornará a complexidade mais presente para o marcador, e vice-versa.
Porém, um bom marcador enfrentando um bom fintador criará um grau de complexidade de grande valor para ambos, o mesmo em situação de um mau marcador e um mau fintador.
É sobre essa perspectiva que a abordagem global-funcional compreende a relação da complexidade no jogo: sem um caráter etapista e exato, mas como uma capacidade que pode estar presente em toda e qualquer atividade e que para resolver as formas de solucioná-la, o aluno deverá ser capaz de compreender as variáveis do jogo.
Jogar, portanto, como a metodologia global-funcional defende ser a melhor forma de aprender o jogo, acaba sendo por natureza dotada de complexidade, pelo fato de envolver a prática de atividades jogadas e envolvimento do aluno para com ela e não apenas a atividade em si como o definidor do grau de complexidade presente na aula.
Análise do Jogo como Ferramenta Pedagógica
Existem muitas interpretações e manifestações para o ato de analisar o jogo. Alguns o chamam de scout quantitativo (passes certos, passes errados, etc..), outros o fazem apenas pela observação de vídeos, através de anotação de “lances do jogo” em campinhos sobre uma folha de papel, ou até mesmo através de sofisticados softwares computacionais que analisam o comportamento dos jogadores no momento do jogo.
Todas essas manifestações da análise do jogo são válidas, já que a preocupação em analisar o jogo sob uma perspectiva de “encontrar” indicativos que nos auxiliem no planejamento de aulas está embutida em todas.
No entanto, a análise do jogo pode ser dotada de outra perspectiva, tanto com relação aos seus objetivos quanto aos analisadores do jogo. Imaginem a analisar os jogos que são elaborados nas aulas sob a perspectiva do jogador aprendiz!
A idéia de suscitar aos próprios alunos analisarem o jogo/atividade da aula torna o ambiente de aprendizagem ainda mais rico, uma vez que eles passam a aprender a avaliar o jogo e a qualidade de atuação dos jogadores neste ambiente, bem como passam a compreender a importância de serem avaliados, sob uma perspectiva que fuja da idéia punitiva, como por exemplo, acontece muitas vezes em equipes de alto rendimento (ou infelizmente até mesmo no futsal escolar ou de categorias de base, já competitivas), que fazem os jogadores se preocupem mais com o scout do que com o jogar, reduzindo este momento de prazer, superação, cooperação, aprendizagem e “mergulho” no ato de jogar, para um momento onde eles são cosntantemente vigiados tendo suas atuações reduzidas apenas a números. (ler mais sobre o assunto relativo ao “vigiar e punir” em FOUCAULT, Michel. Vigiar e punir. Petrópolis: Vozes, 2004.)
O mais importante, porém é salientar a importância de que esse tipo de análise possa e deve ser feita não só no ambiente de jogo formal, mas em qualquer atividade jogada que tenha imputada a lógica dos Jogos Coletivos baseadas, por exemplo, nos princípios operacionais do jogo citados por Bayer (1992) – ver mais sobre utilização pedagógica dos princípios do jogo [aqui] -, tornando o momento de análise mais aberto e mais provável nos ambientes de iniciação ao futsal.
Um passo importante para isso seria a construção em conjunto de modelos de análise do jogo, pautada em várias formas de análise, mas que, de acordo com Leonardo (2005) tenham como preocupação a inserção de categorias de análise que se refiram a:
(1) As “razões do fazer” (elementos táticos, movimentações);
(2) O “como fazer” (elementos técnicos do jogo – passes, arremessos, fintas);
(3) O local das ações (campo de ataque, campo de defesa, lado esquerdo, lado direito, centro da quadra); e
(4) Aspectos relacionados à cronologia das ações (seqüências de ações em relação ao tempo do jogo e ordem de ocorrência).
A partir dessas características presentes e do envolvimento dos alunos na construção e utilização das ferramentas desenvolvidas, a última etapa é a socialização das análises entre os alunos e com a intermediação do professor/treinador, gerando discussões e possibilitando a ascensão das análises para um plano mais crítico e que possibilite a compreensão do jogo e de diferentes formas de atuação e variação dessa atuação, tendo como meio reflexivo as análises feitas pelos próprios alunos.
Essa é uma estratégia viável e que pode ser realizada num dia específico da semana, que pode ser chamado, por exemplo, de “o dia das análises”, criando a expectativa e o costume da utilização de ferramentas dessa natureza no ambiente de aula.
Bibliografia
BAYER, Claude. La Enseñanza de los Juegos Deportivos Colectivos. 2. ed. Barcelona: Hispano Europea, 1992.
FOUCAULT, Michel. Vigiar e punir. Petrópolis: Vozes, 2004.
LEONARDO, Lucas. O desenvolvimento de modelos de análise do jogo através da compreensão do jogo. (42f.) – Trabalho de Conclusão de Curso (graduação) – Faculdade de Educação Física, Universidade Estadual de Campinas, 2005. [clique aqui]
Assinar:
Postagens (Atom)

