O conceito de linha da bola e a leitura de um sistema defensivo


O conceito de linha da bola é universal em relação a modalidades esportivas coletivas que se apóiam na idéia de invasão. Dessa forma, faz parte de um emaranhado conceitual ligado aos Princípios Operacionais dos esportes coletivos de Claude Bayer (1994).

Linha da bola é uma linha imaginária paralela à linha de fundo, definida pela posição da bola no campo de jogo. É uma reta traçada de uma lateral à outra do campo, passando por cima da bola, a qual delimita o campo de ação da defesa na intenção de impedir a aproximação e finalização do ataque à meta.

Quanto maior é o número de jogadores de defesa atrás da linha da bola, ou seja, entre essa referência e a meta defendida, menor o espaço de ação dos atacantes, e, ainda, maior é a indução para um passe errado ou um passe para trás. Esse conceito em questão respeita os Princípios Operacionais de defesa de Claude Bayer, busca dificultar a progressão dos atacantes ao campo e a finalização à meta, facilitando o processo de retomada da posse de bola.

Veja na figura a seguir:



Note que a Linha da Bola é demarcada no ponto onde se encontra a bola naquele momento específico, ou seja, ela varia de acordo com sua movimentação. Observe também que os jogadores de marcação (vermelhos) posicionam-se sempre atrás dela, induzindo que o ataque não avance em seu campo e que o passe mais fácil seja o recuado (linha tracejada). Porém, quando um marcador não a respeita, facilita a ação do ataque, visto que além de desocupar uma área entre a bola e a meta defendida, ainda induz não o passe para trás, mas sim, o passe em direção ao gol (linha tracejada)..


Quanto mais jogadores uma equipe posicionar atrás da linha da bola, maior é a compactação defensiva, e maior é a possibilidade de indução de passes errados ou recuados por parte do ataque.

Como já mencionado, em modalidades disputadas em espaços menores, como, por exemplo, o futsal, além de ser mais fácil visualizar essa ação defensiva, é possível que todos os jogadores da equipe que defende possam se postar atrás da referência mencionada, visto que o contra-ataque é facilitado, assim como a proximidade da meta a ser atacada após a retomada da posse de bola.

Normalmente, os atacantes da equipe que marca se posicionam atrás da linha da bola quando a mesma se encontra próxima à meta defendida pela equipe que detém a posse de bola, efetuando a marcação até próximo à metade da quadra, quando perdem a linha da bola. Esse conceito parece óbvio, mas nem sempre é usado. Uma situação comum no futsal é a do jogador que assiste o seu time ser atacado, marcando um adversário que não se encontre entre a bola e o gol defendido. Ou seja, respeitando o princípio de marcação individual, porém esquecendo de proteger seu campo e dificultar o avanço do ataque.

Outra questão pertinente é que de acordo com o número de jogadores que se encontram atrás da linha da bola durante o jogo, pode-se analisar qual é a postura defensiva da equipe. Se ela pretende jogar mais recuada, é natural que posicione a maioria de seus jogadores atrás da linha da bola, visando dificultar a ação adversária próxima à sua meta e deixando livre um espaço para contra-atacar. Se a equipe que defende posiciona poucos jogadores atrás da linha da bola, tem-se uma situação de jogo mais aberto, na qual existe uma maior possibilidade de chutes contra a sua própria meta, porém, tem-se um maior número de jogadores prontos para o contra-ataque. É mais arriscado e exige um melhor trabalho de fixos e goleiros, visto a maior possibilidade de encontros diretos com atacantes com a posse da bola.

Compreender o conceito e aplicação da idéia de Linha de bola se faz um fator importante na armação de um sistema defensivo e também uma ferramenta na leitura da proposta de jogo do time adversário. A compreensão desse conceito facilita a observação e adaptação da equipe ao sistema defensivo da equipe oposta.

Como é um conceito utilizado principalmente em locais específicos do campo de jogo, pode ser ensinado/treinado a partir da utilização de jogos reduzidos, que limitam a ação dos atacantes e favorecem que todos os atletas vivenciem encontrar e posicionar-se atrás da linha da bola, com base na teoria do Transfert.

O treinamento em locais diferentes, e muitas vezes com a utilização de jogos com bola na mão, facilita esse aprendizado. No futsal, de forma mais específica, de acordo com a situação de jogo, se faz mais ou menos vantajosa o posicionamento de muitos jogadores atrás da linha da bola. Visto que em momentos de extrema necessidade de busca de retomada rápida da posse de bola, uma postura defensiva mais arriscada, com os defensores perdendo a linha da bola, pode ser utilizada, embora pouco indicada. Por outro lado, em momentos em que a contenção do jogo e manutenção do resultado sejam o objetivo, o posicionamento de um maior número possível de atletas atrás dessa referência pode ser de grande valia.

As brincadeiras e jogos no processo ensino-aprendizagem do futsal

O brincar sempre estará ligado à aprendizagem, seja de um esporte, da matemática ou do português

O futsal em nosso país é o esporte mais praticado por crianças, jovens e adultos. Esta adesão, muitas vezes, acontece devido à condição social da população, que não tem fácil acesso a centros esportivos ou locais propícios a descoberta e aprendizado de outros esportes. Outro fator importante que reforça a abrangência do futsal é a facilidade com que ele é jogado, pois se faz necessário apenas uma bola, seja ela de borracha, oficial ou simplesmente uma bola de meia.

Mas, às vezes, na ausência do objeto de desejo (a bola), é comum encontrarmos crianças brincando de futsal, por exemplo, no recreio da escola com uma latinha da refrigerante, um copinho de plástico ou qualquer objeto, simulando um jogo. Outras vezes, formam até balizas com materiais também alternativos como mochilas, pedras, etc, para deixar a brincadeira mais semelhante ao jogo propriamente dito. Este tipo de situação é mais comum do que podemos imaginar, pois é necessário apenas criatividade, imaginação, características inerentes nas crianças.


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A criançada, desde cedo, “brinca de jogar futsal”, tendo como maior objetivo satisfazer a vontade de jogar e imaginar-se jogando como seu ídolo. Nas palavras de Freire (2006, p.02):

[...] basta dar uma volta por aí, pelas áreas das praias, pelas quadras de futebol de salão, pelas ruas de terra ou de asfalto, por cada pedacinho de chão onde uma bola possa rolar, o observador atento descobrirá que o futebol para o brasileiro é uma grande brincadeira. Jogar tem sido a maior diversão da infância brasileira, principalmente da infância mais pobre e masculina, dos meninos de pés descalços, das periferias, dos lugares onde sobra algum espaço para brincar.


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No video acima fica evidente o poder da brincadeira, onde duas crianças em sua imaginação transformam um simples jogo em uma partida de futebol, colocando em seu time os jogadores em que se espelham ou desejam ser um dia.
E basta a mãe de José o chamar para dentro de
casa, que ele volta a sua realidade.

No entanto, com o aumento de escolas de esportes e escolinhas, locais que, nem sempre empregam profissionais capacitados para o ensino dos esportes, seja ele professor de Educação Física ou ex-jogador, percebe-se uma preocupação excessiva na execução “correta” da técnica do esporte. Este método de ensino, geralmente, privilegia o mais habilidoso da turma, excluindo aqueles que, por vários motivos, não desenvolveram a técnica fora daquele ambiente, além de trazer à tona o esporte-performance (alcançar seu melhor rendimento) precocemente. Este assunto é abordado mais profundamente em um outro no artigo do grupo - “O desenvolvimento motor dos atletas das categorias de base - a especialização precoce”.

Discordando desta concepção, Freire (2006) enfatiza a necessidade de um ambiente rico em brincadeiras e sem sistematizações rígidas, respeitando e valorizando a os conhecimentos prévios a respeito do futebol, e criando um ambiente saudável e prazeroso para o aprendizado do esporte. Nesse sentido, podemos citar algumas brincadeiras ou jogos que podem ser aplicadas nas aulas de futsal, como: jogo dos 10 passes, mãe da rua, pega-pega, base 4, gol a gol, rebatida, três dentro / três fora, bobinho, bater faltas, linha etc.

Cada brincadeira ou jogo exige a execução de um ou mais fundamentos do esporte, por exemplo, para passes altos e chutes de primeira, podemos utilizar o três dentro / três fora, pois os jogadores têm que trocar passes altos, sem deixar a bola cair no chão, para depois finalizar e tentar marcar o gol. Na rebatida são dois jogadores contra dois, enquanto dois deles ficam defendendo as traves, um dos outros dois chuta tentando fazer o gol. Se houve uma rebatida dos goleiros, um deles irá sair da área do goleiro e tentará roubar a bola dos dois chutadores, para levá-la até a sua área. Nesse caso, trabalhamos finalização por meio dos chutes, assim como na situação de rebatida dos goleiros, acontece um jogo 2X1. Por fim, o mãe da rua adaptado para o futsal, no qual você pode deixar o pegador com uma bola e os demais passando de um lado para o outro saltitando sobre uma perna só, para que o pegador tente capturar mais pegadores conduzindo a bola.

As atividades descritas acima são apenas alguns exemplos do que pode ser realizado, pois existem inúmeras possibilidades de adaptação e modificação para o trabalho dentro do esporte. Estas atividades estimulam a participação e possibilita o desenvolvimento dos fundamentos do esporte, assim como um aumento de respostas motoras, como nos diz Scaglia (apud NISTA-PICCOLO, 2003, p.69):

A exploração do tema pelo lúdico é o momento em que o aluno tem a oportunidade da descoberta, da criação em cima da temática da aula, ou seja, numa brincadeira adaptada, a criança usa seu repertório motor para aprender, desenvolver, criar, descobrir um novo movimento.

Por isso, é importante ressaltar e reconhecer a necessidade das brincadeiras estarem presentes durante as aulas, sendo utilizadas como uma ferramenta pedagógica eficiente e prazerosa, pois se as próprias crianças gostam e realizam as atividades na rua, na escola, nos parques, nada mais justo que transportá-las para o futsal.

O brincar sempre estará ligado à aprendizagem, seja de um esporte, da matemática ou do português. Dessa forma, não podemos transformar o processo ensino-aprendizagem do fusal em uma repetição de movimentos engessada e burocrática, desvalorizando toda a magia, a pureza e a liberdade dos jogos e brincadeiras.


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O sistema de ataque 4.0


A cada mudança da regra, ocorre quase sempre, uma resposta, adaptando-se a nova estratégia, manifestado na evolução permanente dos sistemas de jogo. As movimentações são decorrentes dos técnicos estudiosos, em tentar criar novas atitudes em suas equipes para obter vitórias contra seus adversários.

É importante a observação em torneios e campeonatos e analisar a curiosidade científica de diferentes treinadores, na aplicação das últimas inovações táticas e estratégicas. A evolução do futsal e sua aplicação no sistema pode ser influenciada por distintas culturas ou pela imposição de treinadores.

Esta evolução depende principalmente do estudo contínuo e da realização dos treinadores em suas equipes. Uma vez que se têm uma inovação tática e esta obtêm resultados positivos, normalmente é adaptada por outros técnicos e se torna uma forma de jogo homogénea. O sistema 4.0 não fugiu desta periodização.

HISTÓRICO

O sistema de ataque 4.0 foi levado para Espanha pelo treinador brasileiro António José Azevedo, o "Zego". Zego saiu do Água Branca, equipe paulista famosa, transferindo-se para o Toledo F. S., equipe da divisão de ouro do futsal espanhol, onde implantou o sistema 4.0. No Brasil faz pouco tempo que as equipes adaptaram-se ao sistema de ataque 4.0, isto se deve ao intercâmbio de jogadores e atletas com o futsal espanhol. Equipes como Vasco da Gama (RJ), ULBRA (Canoas), Internacional (Porto Alegre), entre outras equipes, se utilizam deste sistema.
O sistema 4.0 teve bastante adeptos na Espanha devido a padronização de suas quadras, favorecerem sua utilização, pois todas as quadras espanholas medem 40 metros por 20 metros. Já no Brasil por não termos uma padronização de quadras existe uma maior dificuldade para implantação do 4.0.

CARACTERÍSTICAS DO SISTEMA OFENSIVO 4.0


Segundo Sampedro (1997), o sistema ofensivo 4.0 é o mais moderno que existe na atualidade. Sua disposição inicial é formada por quatro jogadores em linha na meia quadra de defesa. Combinar o sistema 4.0 com o sistema 3.1 durante uma partida confunde muito a marcação da equipe adversária.

Para Lozano Cid (1995), se denomina quatro em linha por ter quatro jogadores formados na zona de armação. A partir da introdução do 4.0, aconteceu um desenvolvimento assombroso nas condições dos jogadores, pois estes tiveram que treinar muito para se adaptar ao novo sistema. Várias equipes utilizaram o quatro em linha criando assim novas movimentações e variantes para o sistema.

O sistema ofensivo 4.0 caracteriza-se por:
  • Aproveitamento do espaço defensivo deixado pelo adversário.

  • Utiliza passes encima da defesa, principalmente no espaço livre.

  • É uma formação privilegiada para criar o 2 contra 2.

  • Piques falsos, diagonais, paralelas, bloqueios são movimentações características do sistema.

  • Cortes simultâneos, paralelos e cruzados são importantes para atacar defesas formadas em 1.2.1.

  • Obriga a defesa adversária mover-se constantemente e ter que eleger um tipo de marcação.

  • Muito bom para jogar com ou sem bola.

  • Facilita a metida de bola em profundidade entre os defensores.

  • Sistema necessita de jogadores universais, isto é, que joguem em todas as posições, tanto pela zona central da quadra como pelas laterais da quadra.

  • É um sistema onde o ataque vai evoluindo pela quadra, o ataque começa tanto pelas posições mais recuadas como pelas mais avançadas.

  • Suas opções de ataque são múltiplas, necessitando da coordenação dos quatro jogadores de linha simultaneamente.

  • O sistema requer que os atletas tenham um ótimo manejo com a bola bem como um excelente nível de passe para obter bons resultados.


VANTAGENS DO SISTEMA OFENSIVO 4.0


  • É um sistema muito válido para combater equipes que nos marcam sobre pressão, pois basta um movimento rápido e conseguimos sair nas costas dos adversários.

  • Muito fácil para criar espaços livres.

  • Deixamos a equipe rival sem coberturas e, quando acontece a cobertura, ficamos sempre com um companheiro livre para receber a bola.

  • Se o adversário marca individualmente, ocasiona um grande desgaste físico.

  • Se ganhar na velocidade do adversário, normalmente vai ficar sozinho para concluir a gol.

  • Facilita muito o jogo 1 contra 1.

  • Cria, na frente da meta adversária, uma zona muito boa para finalizações.

DESVANTAGENS DO SISTEMA OFENSIVO 4.0


  • Quando a equipe adversária coloca sua defesa muito atrás, temos muita dificuldade para fazer as infiltrações.

  • Quando jogamos em linha e perdemos a posse de bola não temos cobertura defensiva.

  • Ocasiona um grande desgaste físico, pois para ser bem executado, devemos movimentarmos sem a bola.

  • Para executar o sistema perfeitamente devemos ter um ótimo domínio de bola.

  • Necessita de uma grande sincronização dos atletas de linha para obter resultados.

  • Precisa de um grande número de treinamentos para sua execução. Com isto, não deve ser aplicado em crianças.

  • Quando jogamos em quadras de dimensões pequenas, dificulta sua aplicação.

REGRAS IMPORTANTES PARA O ATAQUE NO SISTEMA 4.0

  • Nunca ter pressa para definir a jogada.

  • Não ficar parado na quadra.

  • Não deixar de olhar para o companheiro que esta com a bola.

  • Nunca achar que a bola está perdida.

  • Movimentar-se nas costas do marcador.

  • Levar o defensor para a posição da quadra que lhe interesse.

  • Antecipar-se ao defensor para surpreendê-lo.

  • Pensar sempre que é mais habilidoso que o defensor para arriscar o drible.

  • Buscar sempre driblar no lado mais frágil do defensor.

  • Ajudar os companheiros com bloqueios e mudanças de direcção.

  • Sempre ocupar a melhor posição na quadra que o defensor.

  • Utilizar-se de fintas de corpo.

  • Passar a bola sempre para um companheiro melhor colocado.

  • Manter sempre a máxima concentração na jogada.

  • Ser generoso com os companheiros na hora de passar a bola.


    MOVIMENTAÇÃO DO SISTEMA OFENSIVO 4 EM LINHA
    (Teoria)

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MOVIMENTAÇÃO DO SISTEMA OFENSIVO 4 EM LINHA

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Diversos fatores levam a prática de Atividades Físicas ! O PROFESSOR não é um desses fatores

Diversos fatores levam os adolescentes à prática de atividades físicas, mas o professor de educação física não é um deles. A conclusão é de um estudo feito por pesquisadores da Universidade do Porto, em Portugal, da Universidade Federal Fluminense (UFF) e da Fundação Oswaldo Cruz, no Rio de Janeiro.

O estudo de revisão da literatura científica publicado na revista Cadernos de Saúde Pública, no entanto, aponta divergências entre as pesquisas que abordam determinantes demográficos, biológicos, psicológicos e socioculturais da prática de atividades físicas entre adolescentes.
Além disso, o trabalho apontou que a condição socioeconômica elevada e a participação da família influenciaram positivamente a prática de atividades pelo adolescente. O dado mais preocupante foi que o professor de educação física pareceu não representar um fator propiciador da atividade física.

“É importante perceber que um comportamento tão complexo e multifatorial, como é a atividade física, não é explicado por uma única variável, ou por uma teoria interpretativa qualquer. Uma conclusão bem relevante das pesquisas epidemiológicas de natureza analítica é que, da variável total da atividade física, a percentagem atribuída aos fatores determinantes se situa entre os 10% e 30%”, afirmou um dos autores do estudo, André Seabra, professor da Faculdade de Desporto da Universidade do Porto, à Agência FAPESP.

Formar ou Detectar Talentos ?

O argumento básico de qualquer um que tenha como principal objetivo a conquista de resultados imediatos é de que se faz necessário detectar talentos na escola a partir de testes que mostrem o perfil biológico dos alunos. A através da idéia de que após esses dados serem tabelados, torna-se possível fazer um comparativo com um banco de dados e verificar aqueles que são acima da média populacional (na realidade, a média não é exatamente o índice utilizado para esse tipo de pesquisa).

Digo antes de me alongar no assunto que defendo a integridade da escola como local de socialização de conhecimentos e não abro mão da aula de educação física em detrimento de escolinhas de esporte e muito menos para utilização de projetos de “detecção de talentos”. O espaço da escola não é para isso.

Detectar índices a partir de testes biológicos pode, com certeza, auxiliar no processo de encontrar pontos fora da curva para aqueles determinados testes, porém, será que basta isso para determinar se aquela criança é um potencial talento? Será que esses testes com características tão fechadas e fragmentadas realmente tem alguma serventia?

Trago em discussão, dessa forma, a importância que os fatores biológicos advindos da idéia do inatismo, como por exemplo, a estatura e a estrutura muscular potencial de uma criança e a velocidade, têm para a boa formação esportiva, porém não depositando as fichas de que apenas isso é necessário. Pois além desses fatores, o desenvolvimento cognitivo do aluno, para a resposta aos problemas que o jogo lhe impõe, através de uma metodologia de ensino que valorize essa característica, sem contar nas questões sociais, emocionais, psicológicas e a complexidade de relações entre essas capacidades inerentes a todos ser humano, são necessárias.

Dessa forma, pensar que talentos podem ser encontrados através de testes motores é excluir a idéia de que o ser humano é bem mais complexo do que correr, saltar, alongar e empurrar - protocolo da maioria desses testes.

Outro agravante - em menor grau, em minha opinião - e o fato de que fatores maturacionais podem por vezes interferir nesses testes apontando como “talento” apenas uma criança com índices maturacionais desenvolvidos de forma prematura em relação à sua faixa etária, desenvolvendo por vezes índices de força maior que outros, o que com certeza irá alterar os resultados dos testes utilizados.

Quantas vezes, não tivemos um aluno em nossas mãos que de antemão, devido ao seu “talento”, traçamos seu futuro como esportista, acreditando que ele faria do Futsal o seu futuro devido ao grande diferencial que ele possui entre os jogadores de sua categoria, mas que com o passar dos anos, passa a ser apenas “mais um” dentro do quadro de jogadores de Futsal da região?

Geralmente esse desapontamento ocorre pelo fato de deixar à regalia do próprio aluno a aprendizagem do futsal, pois a velha máxima “em time que ganha não se mexe” passa a prevalecer, agora sob outra ótica: “se o jogador é talentoso, melhor não atrapalhar”.

Ora, isso é abrir mão de nosso papel como professores/treinadores de Futsal. É por isso que “jovens talentos” por vezes acabam não chegando aos níveis de jogo esperado.

Um dos maiores crimes que cometemos no Futsal é termos em mão um jovem jogador “talentoso” - entendam, mas alto que a média de sua idade, mais forte que a média de sua idade, mais coordenado que a média da sua idade, com maior capacidade reativa que a média da sua idade - e darmos para ele a seguinte incumbência em treinos e jogos: “Parte pra cima” “ Chama o jogo e decida” fazendo-o dessa forma achar que jogar Futsal é isso.
Temos que refletir!

O professor de futsal que trata com crianças tem que ter claro o seu papel
de educador, tendo sempre primeiramente o intuito de formar cidadãos e depois a FORMAÇÃO de jogadores.