Introdução: O Jogo de Defesa

“Atacar como podemos e defender como os pumas”.

Este lema menciona a velocidade que os atletas devem imprimir na tentativa de recuperar a bola quando na situação de defesa.

Entretanto, penso que esta frase também propõe uma questão de atitude defensiva. Voracidade por querer recuperar a bola, e por não deixar nenhum espaço aberto. Luta para não deixar o adversário progredir a posições melhores de finalização. Enfim, a imagem do puma correndo nos campos representa tanto a força, a velocidade e a agilidade requeridas para a defesa, quanto uma perene atitude de atenção, determinação, luta e garra que este felino tem para atingir os seus objetivos.

Velocidade e Inteligência

Qual é o objetivo do Futsal?

Muitos já responderam à si mesmos: “Claro que é fazer gol!”. Ótimo quem pensou isso esta de parabéns, esse realmente é o objetivo do jogo, mas as vezes esquecemos que para alcançar esse objetivo existem umas regrinhas básicas a seguir, ainda mais nos tempos de hoje que o Futsal sofreu algumas mudanças e se torna cada vez mais veloz diminuindo o tempo de raciocínio do atleta.

Vence o jogo aquele time que sofrer menos e marcar mais gols certo? Mas essa é a incessante luta dos técnicos de qualquer categoria, seja ela iniciação, escolinhas ou até mesmo treinadores de seleção, pois os benditos dos jogadores sempre quererem ouvir o “pow” no fundo da gaveta. Para muitos é mais emocionante que defender uma bola, mas calma que isso tem cura.

Vocês mesmos podem comprovar pela enquete que esta sendo realizada no Blog, que a maioria acha que o time que tem mais chances de vencer é aquele que defende melhor. Esse é o primeiro objetivo do Futsal, ter uma defesa boa para então marcar gols. A defesa funciona muito bem quando se tem um jogador de base e um goleiro ativo que falam muito e sempre apontam a falha da defesa, logo chamando a atenção de seus companheiros para cobertura.

Uma defesa forte precisa de:

◦Bom preparo físico

◦Muita conversa sempre regida pelo homem da base e o goleiro

◦Cobertura rápida para o companheiro

◦Saber jogar com o goleiro

◦Ter tempo de combate para fazer a flutuação.

Uma defesa forte precisa ter um bom preparo físico para aguentar as coberturas de marcação. Lembre-se sempre que para dar combate é necessário visar a bola e analisar como o jogador bate se é canhoto, destro ou ambi-destro.

Agora que já sabemos o básico sobre defesa, podemos atacar.

Um ataque forte precisa de:

◦Paciência

◦Inteligência

◦Total sintonia entre os jogadores, principalmente os responsaveis para arma as jogadas

◦Ser objetivo e efetivo

◦Uma troca defensiva ao menos

O ataque tem 3 fases, momentos, tempos, ondas, enfim em cada região tem sua maneira de expressar o ataque. A primeira fase é o contra-ataque direto, onde o goleiro lança a bola ao jogador mais a frente, geralmente os alas ou pivôs. A segunda fase é o contra-ataque sustentado, onde o goleiro tem uma saída rápida com o jogador mais próximo a ele, geralmente os armadores e em poucos passes chegam ao gol adversário, essa segunda fase é a mais comum e eficiente em jogo. A terceira fase é a organização do ataque para trabalhar o jogo tático.

Lembrando que existem várias jogadas para serem feitas nesses ataques de 1ª e 2ª fase, cada time utiliza de acordo com o seu potencial de efetivação. Logo contrário a essas duas fases existe o retorno defensivo que também possui fundamento tático para neutralizar esses ataques. As vezes muitos times levam uma sacolada só em contra-ataque, por desconhecerem e não treinarem esses tipos de ataque de 1ª e 2ª fase e retorno defensivo.

Para marcar o gol é necessário entender como funciona a defesa adversária, todavia existe uma regra básica chamada inferioridade e superioridade numérica.

O objetivo do ataque antes de fazer o gol é fazer com que a defesa fique presa atras do pivô formando uma superioridade numérica ao ataque, isso é possível através da lógica que 1 jogador chame a atenção de 2 jogadores da defesa logo no decorrer ou no final desta manobra sobrará alguem livre para fazer o gol. Partindo do princípio de que o pivô é peça chave ao ataque, é necessário que ele esteja sempre antenado ao posicionamento do armador  da equipe, responsável em ditar onde será mais fácil abrir o buraco na defesa. Geralmente esse é o jogador que está em troca defensiva, pois enquanto o time defende ele conversa com o técnico sobre quais as melhores opções para o ataque, evitando assim aquelas cenas tristes em jogo que o técnico fica se esguelando fora de quadra para chamar atenção de um jogador.

Vale lembrar que isso não é regra, varia de equipe para equipe.

Os conceitos apresentados acima são o básico para se ter um time competitivo. Se uma equipe treinar muito bem e dominar esse básico, já estará apta à continuar nos próximos passos, uma vez que é comum à todos.

Veja o fato lamentável no futsal

Vejam o fato inusitado que ocorreu no Campeonato Estadual de Futsal do estado do Paraná, o jogo era valido pelas quartas de finais, a equipe de Umuarama vencia pelo placar de 2 x 1 a equipe adversária de Guarapuava. Nos minutos finais da partida a equipe de Guarapuava atacava com o goleiro linha, quando o goleiro perdeu a bola e em um contra-ataque a equipe de Umuarama marcaria o terceiro gol, daí então um diretor da equipe da cidade de Guarapuava invadiu a quadra e cortou a bola impedindo o gol. (veja o vídeo abaixo)





Já não bastasse este fato, no final do jogo o ônibus do Umuarama foi apedrejado na saída do ginásio com vidros quebrados e outros estragos.

Defesa – Por onde começar?

Venho até vocês para falar de Futsal defensivo. Existe uma cultura já instalada na qual a garotada hoje em dia não gosta de defender. Boa parte dos jogadores que estão aprendendo o futsal só sentem prazer em jogar no ataque. Essa é uma preocupação de muitos treinadores: como motivar os alunos a também gostarem de marcar no futsal?
 
Marcação Individual

Acredito que a grande sacada ao trabalhar o futsal defensivo na iniciação é começar com a marcação individual. O domínio da marcação individual é pré-requisito básico para que, mais adiante, o inciante possa realizar uma marcação por zona mais eficiente. Através dela as crianças e adolescentes poderão aprender da melhor maneira as habilidades técnicas defensivas básicas do jogo, ou seja, aprender a jogar no 1×1 (1 contra 1) com e sem bola, a atrapalhar passes e recepções dos adversários, a deslocar-se explorando a lateralidade e a profundidade, a colocar-se em linha de passe, a realizar bloqueios de corridas dos adversários e a manter o contato visual com a bola e com o seu respectivo adversário.
A marcação individual pode ser realizada de três formas:
 
* Quadra inteira
* Meia quadra
* Perto da área

Defesa agressiva, prazer em defender e superar limitações

 

Basta ser Jogo ?


Venho defendendo incessantemente neste espaço a valorização do jogo como ferramenta necessária e central do processo pedagógico do esporte.

Em todo texto que trato do assunto, destaco a importância do jogo, uma vez que através de sua capacidade de ascensão ao lúdico, é capaz de tornar o ambiente de aula desafiante, motivador o que faz os alunos/atletas mergulharem dentro de sua lógica, buscando resolver os problemas impostos afim de conseguir alcançar êxito através do indissociável binômio técnica/tática inerente ao futsal.

No entanto, em recente percebi a importância que a discussão sobre o jogo como ferramenta pedagógica deve ter, uma vez que a utilização de jogos pode servir apenas para tapar buracos metodológicos. Ou seja: “se não sei o que fazer, então vou lá e dou um joguinho”.

Os problemas da especialização precoce em busca do resultado


Neste texto quero compartilhar uma preocupação com a especialização precoce de atletas no contexto da formação no Futsal. A discussão não será quanto ao treinamento biológico precoce, mas quanto a especificação da posição, da falta de uma construção do conhecimento geral para o específico, deixando de promover a vivência e acompanhamento de todas as fases, sem prejudicar o aluno no seu processo de aprendizagem e aperfeiçoamento.

No dia-dia de treinamento de categorias de base chegam muitos alunos que não têm conhecimento sobre os conteúdos básicos do Futsal e nem mesmo possuem um aprendizado anterior satisfatório para alcançar a meta do grupo, e muitas vezes não temos tempo de ensiná-los, sem pular etapas do treinamento, por já estarmos no meio do planejamento, ou quando já estamos com algumas metas traçadas. Porém, um erro grave e comum é colocá-los em uma posição durante os jogos ou coletivos em que eles não “atrapalhem” o treinamento ou onde “prejudicam” menos.

Nesta questão, quando um aluno chega nesta situação e o colocamos para jogar, em uma posição que julgamos menos complexa e lá o deixamos, estamos especializando precocemente um aluno que não passou por todas as fases do aprendizado. Em alguns de nossos textos publicados, falamos sobre o processo de ensino aprendizagem, em que envolvem os princípios operacionais e as fases do aprendizado para os jogos.

Ataque e defesa: onde um começa e o outro termina?


É quase que fato consumado no futsal entender o processo ofensivo (ataque) o momento em que a própria equipe tem a posse da bola e o processo defensivo (defesa) o momento em que a posse de bola é do adversário.

E nas transições, quem está atacando e quem está defendendo?

Simples, na transição defesa-ataque (ofensiva) eu estou atacando e na transição ataque-defesa (defensiva) meu adversário ataca.
Ainda bem que, para os profissionais do futsal, os jogos coletivos são muito mais complexos que essa singela interpretação. Senão qualquer torcedor entenderia o jogo tão bem quanto um treinador de equipe de alto nível.
Os processos ofensivos e defensivos estão tão intrinsecamente conectados que seria impensável analisá-los e treiná-los de forma isolada.

Imagine a seguinte situação:
Sua equipe está vencendo a partida e adota como estratégia manter a posse de bola (prioritariamente na quadra de defesa pela ocupação espacial do adversário) com o objetivo de “apenas” esperar o tempo terminar. A equipe adversária realiza uma marcação pressão para recuperar a bola rapidamente e tentar realizar uma finalização a gol.

Pergunta: Quem está defendendo? E atacando?

Iniciação Ofensiva no Futsal para Crianças

Este texto tem por finalidade introduzir alguns conceitos relevantes à iniciação esportiva voltada para aspectos ofensivos do jogo de Futsal. Alguns princípios devem ser priorizados ao iniciar um trabalho de aprendizado ofensivo e alguns desses princípios são comuns aos jogos desportivos coletivos, e por isso, serão tratados de forma geral, para posteriormente limitarmos ao Futsal.

Quando falamos em um trabalho pedagógico de ensino ao Futsal, estamos referindo a uma série de itens que os alunos devem conhecer e praticar. No ataque, em específico, partimos de uma ponto inicial, que se caracteriza pela posse da bola.

Os princípios que regem a equipe atacante, segundo BAYER, são os seguintes:
  • Preservação da posse da bola,
  • Progressão a meta adversária,
  • Realização do gol.
  • No caso dos jogadores que não possuem a posse da bola, além dos princípios anteriores, também é devido saber;
  • qual a posição da bola no jogo,
  • localizar os espaços livres para possível ocupação,
  • identificar a posição dos adversários e a situação dos companheiros e ainda ter o objetivo a atacar.

Com crianças é fácil notar a centralização na figura da bola, e muitos ainda não desconectam o jogo em si da figura bola. Eles têm a bola como centro e não como elemento do jogo. A vivência inicial é observada com algumas características, como o jogador em posse da bola querer conservá-la, os jogadores sem bola, porém atacantes, querem ter a posse da bola.
Esta fase pode ser denominada como jogo egocêntrico. Nesta fase observa-se a aglomeração e aglutinamentos ao redor do objeto do jogo (a Bola).

COMO ANALISAR UMA EQUIPE ADVERSARIA

Por muito que treinemos o nosso modelo de jogo de forma a estar preparado para jogar com qualquer equipa, devemos ter sempre o máximo conhecimento das características de cada um dos nossos adversários, pois quanto maior for esse conhecimento, mais preparada estará a nossa equipa, quer para contrariar os seus pontos fortes e explorar as suas fraquezas...

Desta forma, este documento tem como principal objetivo ajudar os treinadores a como preparar a sua equipa para o próximo adversário.


Como analisar uma equipa adversária?

Antes do jogo

Recolher informação:

  • Tipo de piso e tamanho da quadraObservar aquecimento;
  • Nomes dos jogadores, números, equipe inicial e suplente
  • Características especiais do Sistema tático e/ou Modelo de Jogo
  • Características especiais relacionadas com os jogadores

Durante o jogo

Observar a organização estrutural e todas as alterações que aconteçam no decorrer do jogo nessa estrutura, quer pela evolução do resultado, quer pelas substituições que ocorram.

Observar a organização defensiva da equipa:

  • Zona (linha de marcação) onde defendem (alta, média ou baixa)
  • Tipo de marcação (à zona, individual ou mista)
  • Atitude e comportamentos defensivos (agressividade ou passividade)

Observar a organização ofensiva da equipa:

  • Tipo de construção de jogo (jogo lento ou rápido, passe curto ou longo (direto), com apoio de centro ou de ala)
  • Jogadores de referência na organização ofensiva.
  • Padrões coletivos estabelecidos na construção do jogo.
  • Posicionamento que os jogadores ocupam neste tipo de lances.

Ainda tem dúvidas? Se desejar, acesse o site pedagogia do futsal ou Scout em Linha desenvolvido por Wilton Santana, e veja um exemplo de scout por anotação manual.

Fonte: http://martinscarlos.blogspot.com/


Futsal também se aprende assistindo!

Em minha formação universitária houve uma disciplina que fiz na Faculdade de Educação que destacou a importância da aprendizagem vicária (pela visão) como um processo pedagógico, pois alunos buscam sempre referências que exemplifiquem e mostrem possibilidades de atitude, ações técnicas integradas com a tomada de decisão, para que possa significá-los e transferir aquilo o que foi significado para o momento da aula.
Essa possibilidade pedagógica, no entanto, por muito tempo foi interpretada como a necessidade do professor ser um bom praticante da modalidade, para que através de seus exemplos os alunos pudessem copiá-lo e assim aprenderem a jogar.
Isso trouxe consigo dois problemas sérios:

(1) somente o professor ex-jogador é quem seria capaz de desenvolver boas aulas, pois ele seria o exemplo mais adequado a ser seguido pelos alunos, fazendo prevalecer a crença de que quem não jogou aquela determinada modalidade não saberia ensiná-la;

(2) sendo o professor um ex-jogador, as aulas tornavam-se um ambiente de treinamento e especialização – em plena fase de iniciação esportiva – sendo que o aluno aprenderia a copiar o gesto técnico demonstrado pelo professor, executando-o em atividades tecnicistas e isoladas.


Ora, a aprendizagem visual possibilita avançar o tempo da aula para além do espaço da aula. Trata-se de um recurso que extrapola o ambiente de aprendizagem propriamente dito. Assistir um jogo de Futsal pela TV, por exemplo, torna-se uma extensão da aula além do ambiente formal, possibilitando ao aluno significar o jogo a partir de suas perspectivas pessoais, adquirir um lastro cognitivo sobre o planejamento de ações no jogo que posteriormente podem ser testadas no ambiente de aula.
(Alunos da Equipe Dura-lex/ Oeste Paulista de Futsal do Professor Augusto Rena)

O conceito de linha da bola e a leitura de um sistema defensivo

O conceito de linha da bola é universal em relação a modalidades esportivas coletivas que se apóiam na idéia de invasão. Dessa forma, faz parte de um emaranhado conceitual ligado aos Princípios Operacionais dos esportes coletivos de Claude Bayer (1994).
Linha da bola é uma linha imaginária paralela à linha de fundo, definida pela posição da bola no campo de jogo. É uma reta traçada de uma lateral à outra do campo, passando por cima da bola, a qual delimita o campo de ação da defesa na intenção de impedir a aproximação e finalização do ataque à meta.

Quanto maior é o número de jogadores de defesa atrás da linha da bola, ou seja, entre essa referência e a meta defendida, menor o espaço de ação dos atacantes, e, ainda, maior é a indução para um passe errado ou um passe para trás. Esse conceito em questão respeita os Princípios Operacionais de defesa de Claude Bayer, busca dificultar a progressão dos atacantes ao campo e a finalização à meta, facilitando o processo de retomada da posse de bola.
Veja na figura a seguir:

Note que a Linha da Bola é demarcada no ponto onde se encontra a bola naquele momento específico, ou seja, ela varia de acordo com sua movimentação. Observe também que os jogadores de marcação (vermelhos) posicionam-se sempre atrás dela, induzindo que o ataque não avance em seu campo e que o passe mais fácil seja o recuado (linha tracejada).

Porém, quando um marcador não a respeita, facilita a ação do ataque, visto que além de desocupar uma área entre a bola e a meta defendida, ainda induz não o passe para trás, mas sim, o passe em direção ao gol (linha tracejada)

Quanto mais jogadores uma equipe posicionar atrás da linha da bola, maior é a compactação defensiva, e maior é a possibilidade de indução de passes errados ou recuados por parte do ataque.

O Jogo – Lúdico e Sério, isso é possível?

Quando abordo ao falar sobre o ensino do Futsal com base no jogo, como ferramenta pedagógica, isso parece um equívoco, pois a visão sobre o jogo comumente limita-se sobra sua característica de diversão e ludicidade, desprovido de um caráter sério, que para muitos é considerado um elemento essencial para que a aprendizagem seja consumada.

Não questiono que a ausência de seriedade num processo de ensino aprendizagem é algo que minimiza as chances de que a aprendizagem seja assimilada pelos alunos/atletas que se envolvem em nossas aulas.
Logo, admito que para ensinar deve haver seriedade por parte de alunos e professores, pois a atitude séria possibilita maior atenção para que o objeto de aprendizagem seja realmente significado como um conteúdo a ser aprendido.

O jogo, por sua vez, é um elemento típico de liberdade, ludicidade e prazer, caracterizando-se, aparentemente, como algo típico para o relaxamento, a diversão e a livre adesão.
No entanto, trago uma pergunta: Jogar bola nas ruas, garante aprendizagem? Não são raros os relatos de grandes jogadores de diversas modalidades que descrevem as experiências vividas na rua como algo realmente significativo.

João Batista Freire, em sua tese de livre docência escrita no ano de 2001, chamada “Investigações Preliminares sobre o Jogo”, traz reflexões sobre a “Pedagogia da Rua”, mostrando a importância que os jogos de uma chamada “cultura de rua” possuem na formação da inteligência para o jogo.
No livro “Escola da Bola” de Christian Kröger e Klaus Roth, eles destacam que um dos objetivos dessa obra é procurar, de alguma forma, resiginificar de maneira sistematizada as experiências, cada vez menos potencializadas, de prática de jogos de rua, com diversos estímulos de inteligência tática, habilidades e capacidades coordenativas ali vividas com muita intensidade.

Logo, essas e outras experiências e propostas de trabalho fundamentam a capacidade que o jogo possui de gerar aprendizagens.

No entanto, ao observarmos o fenômeno jogo, percebemos que há nele além da presença da ludicidade e alegria, algo aparentemente contraditório: um jogo só é jogo se ele for jogado com seriedade.
Essa frase é que sempre uso como exemplo para demonstrar o quanto o jogo é uma ferramenta pedagógica por excelência, inquestionavelmente.

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“Um jogo só é jogo se ele for jogado com seriedade”
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A importância da análise do jogo


Análise de jogo no futsal
“nem tudo que é contado conta, como também nem tudo que conta é contado”

O sucesso no futsal se caracteriza pela mensuração dos resultados, que são produtos de um bom desempenho em quadra. Para os atletas atingirem grandes performance são necessários um conjunto de princípios bem desenvolvidos nos treinamentos. Os mesmos advindos da vertente física, técnica, tática e psicológica. Nesse âmbito quanto maior for a capacidade de antecipação de acontecimento melhores serão as perspectivas de sucesso (SILVA, 2006).

O futsal assim como o futebol se caracteriza por ser um jogo de opiniões, e muitos técnicos baseiam-se suas estratégias e suas decisões nas suas próprias idéias, por isso existe a AJ, para separar opiniões pessoais de fatos relevantes (HUGHES, 2005).

Tem-se no sistema de Analise de Jogo (AJ) um método de observação e registro de fatos relevantes do mesmo, fazendo que o processo de analise tenha fidedignidade e validade. O treinador e/ou analista desenvolve um ambiente condutivo de informação, propiciando um desenvolvimento de aprendizagem através duma qualidade de feedback que os atletas recebem diariamente. Esses dados devem ser objetivos, pontuais e de fácil compreensão, leitura e interpretação.

O treinador e/ou analista tem a responsabilidade de desenvolver o processo de AJ. Sendo o mesmo constituído pela observação de ações de jogo; armazenamento das observações; tratamento das observações; avaliação/valoração; análise e interpretação e no feedback aos atletas (como mostra o diagrama abaixo).

Diagrama das etapas do processo de analise de jogo:





De acordo com esse processo se torna possível sintetizar e entender o desempenho individual e coletivo da equipe, bem como e mais importante, preparar a mesma para a próxima partida.

As AJ pode se subdividir em qualitativas e quantitativas e diretas e indiretas. As qualitativas caracterizam-se em medição de performance expressa em números e qualificada por parâmetros estipulados pelo analista, exemplo: qualificar a zona ou período de tempo de ocorrência de fatos. Também pode ser expressada em imagens e fotos, exemplo: fotos digitais de jogadas, vídeo análise de adversário. Já na análise quantitativa consideram-se apenas as medições de performance expressadas em números, com ou sem tratamento estatístico. A forma direta de análise é realizada on-line, ou seja, presença do analista no local da coleta, exemplo: scouting de jogo. Já na forma indireta utilizam-se vídeos ou outros métodos que não sejam na hora do jogo.

Baseado no que foi coletado, armazenado, tratado, sintetizado, e em sistemas especiais de informação digital, aproveitamos essa síntese de resultados para aplicação no treinamento diário. Essas informações tornam-se variáveis de aprendizagem para os atletas e treinadores, bem como parâmetros de performance estabelecidos pela própria síntese de jogo.
Garcia (2000) defende que a melhoria do rendimento está em grande parte determinada pela qualidade do feedback oferecido aos jogadores depois de cada partida. O treinador em mãos dos dados leva aos atletas aquilo que for fundamental para o sucesso de suas ações, sempre de acordo com o seu modelo de jogo.
O atleta processa e aproveita aquilo que vai melhorar o seu desempenho, sempre levando em consideração que o mesmo somente aproveita aquilo que ele acha benéfico para si. Portanto, o analista e/ou treinador deve acreditar e vender sua análise com convicção e certeza do seu modelo de jogo a fim de convencimento dos atletas por ele dirigido.
Um simples, mais muito eficiente modelo de scout manual e Leitura de Jogo, vocês encontram no site " Pedagogia do futsal" do Prof. Wilton Santana.

Postaremos relatos de jogos dos times do interior do estado de São Paulo que disputam campeonatos oficiais e que tivermos a oportunidade de analisarmos, pois como são poucas as equipes do interior que disputam esses tipos de competições fica um pouco restrito esses tipos de analises, utilizaremos as transmissões de TV, a TV futsal do site da FPFS e os jogos que tivermos a oportunidade de assistirmos ao vivo aqui no interior.

RELATÓRIO DE JOGO


S.E.RCG/Garça X São Caetano/Corinthians/Unip


Placares parciais:
1º tempo: RCG Garça 0 x 2 Corinthians
2º tempo: RCG Garça 1 x 1 Corinthians

EQUIPE (em negrito, os jogadores que iniciaram o jogo)




19- Paulo Vitor

5- Edgard

12 Guilherme 13- Paulinho

14- Augustinho

10-Renatinho
03-Luciano
11-Beto
09-Fabinho
15- Caio
02-Leandro
08- Betinho
20-Kris

ARBITRAGEM

CATEGORIA: PRINCIPAL

ÁRBITRO: NILSON CARLOS R.NASCIMENTO

AUXILIAR: WLAMIR NEY MACHADO

CRONOMETRISTA: MARCO ANTONIO DA SILVA

ANOTADOR: AIRTON DE VASCONCELLOS




O JOGO

O jogo começou bastante equilibrado, as duas equipes marcando pressão, e não dando espaços para o adversário armar suas jogadas, principalmente para os jogadores “SIMI” e “Chico Paulista”, os dois mais habilidosos e perigosos da equipe corinthiana.

Devido à forte marcação da equipe de Garça o técnico adversário pediu tempo e tentou arrumar seu time para que envolvesse a equipe de garça e criasse ações ofensivas. O tempo pedido surtiu efeito e com uma movimentação constante, criou boas chances, principalmente com boas tabelas.

A equipe de garça não conseguiu manter a forte marcação e logo a equipe adversária igualou o jogo.

O goleiro Paulo Vitor foi bastante acionado, realizando excelentes defesas e sendo o desafogo da equipe de graça quando pressionada, o que fez o goleiro exagerar nas tentativas de transferência direta da bola para o ataque, como em chutes para o gol na tentativa de algum desvio por parte de seus atacantes, onde em uma dessas tentativas de finalização, sua bola rebate no adversário (Paulinho Japonês) e volta para a sua quadra de defesa no pé do Ala SIMI que sai cara a cara e não perdoa, abrindo o placar a favor da equipe corinthiana.

A equipe de Garça foi mais efetiva no ataque, conseguindo realizar boas jogadas, e neutralizar as jogadas adversárias, mas foi muito mal nos chutes a gol, o técnico Tuca na tentativa de igualar o placar colocou um Pivô de referência (03-Luciano), com a posse de bola ele conseguiu realizar boas jogadas, mas com dificuldades na marcação de retorno deixou a desejar, e quando tentava ajudar na marcação cometeu 2 faltas além de ceder contra-ataques perigoso ao adversário e com isso foi substituído.

Como a opção do time de Garça foi marcar pressão e não dar espaços ao adversário, na metade do 1º tempo a equipe estourou em faltas e teve que recuar sua marcação para a meia quadra e como consequência sofreu o segundo gol, em um belíssimo chute de fora da área de Chico Paulista, ampliando o placar para 2x0.

Logo em seguida foi à vez do técnico Tuca parar a partida e tentar arrumar sua equipe para diminuir o placar, mas o tempo pedido não surtiu efeito e o 1º tempo acabou 2 x 0 conta a equipe de Garça.

No segundo tempo, RCG GARÇA voltou com uma melhor organização, tanto na defesa, quanto no ataque, tendo duas chances claras de gol nos primeiros minutos do segundo tempo.

RCG GARÇA voltou marcando meia quadra e individualmente com pressão no homem da bola, acredito eu que este fato se deu devido a equipe estar em inicio de temporada e a marcação pressão ser muito desgastante. Até a metade do segundo tempo o jogo continuava como a etapa anterior, assim que o jogo foi chegando ao final, restando 7 min. o técnico Tuca colocou o goleiro Kris (20) que tinha como característica o chute forte a gol, a alteração não teve sucesso e na busca do gol ele resolveu colocar o Ala Augustinho (14) como goleiro linha para armar as jogadas, pois o mesmo era um ótimo passador, mesmo assim as suas tentativas não resultaram em gols e em um contra ataque rápido a equipe adversária coloca fim na expectativa de um empate e faz o terceiro gol restando 2.11 min. para o final da partida com Danilo.

Em sua ultima tentativa com o Goleiro Linha, o Técnico de Garça coloca Caio (15), e em uma troca de passes entre seus jogadores, surge um escanteio e faltando 36,21 seg. para o fim da partida, e em uma cobrança rápida, Renatinho (10) desconta para RCG Garça. E o Placar final é 3x1 para o adversário.

ANÁLISE DA EQUIPE

RCG GARÇA:

Defensivamente: Marcou na 1ª linha, com pressão no homem da bola durante boa parte da partida, quase sempre fazendo marcação Individual. Somente em determinados momentos, passou a marcar por zona, variando da meia pressão para a pressão na quadra inteira.

Escanteios: Marcou por zona.
Laterais Defensivos: marcou atrás da linha da bola.
Faltas: marcou atrás da linha da bola, por zona.


Ofensivamente:
variou entre os sistemas 3-1, 1-2-1 e 2-2. Com uma movimentação constante – apesar de, em alguns momentos ter sido pressionada pelo adversário – criou boas chances principalmente com tabelas pelo meio da quadra. Por conta da quadra de dimensões reduzidas utilizou bastante o goleiro Paulo Vitor como quinto jogador para o apoio ao ataque.
Utilizou, durante poucos minutos, o pivô Luciano como pivô de referência. Porém, a tática não deu certo e o time passou a jogar com pivôs de movimentação, sempre com revezamento.

No 5x4: Jogou a maior parte do jogo com o goleiro (Paulo Vitor) para troca de passes e chutes no gol,

Jogou 1:2: 2 com pequenas variações para 2:1:2, como Goleiro Linha utilizou um jogador de bom passe (14-Augustinho), um jogador Chutador ( 20-Kris) e um jogador de bom passe e finalizador ( 15- Caio)
Escanteios: Realizaram jogadas ensaiadas, resultou em gol a favor da equipe.
Laterais Ofensivos: Quando na quadra de defesa poucas vezes utilizou jogadas ensaiadas, já na quadra ofensiva, realizou algumas jogadas ensaiadas.
Faltas:
Executou algumas jogadas ensaiadas, mas todas anuladas pelo adversário.


OBSERVAÇÕES
  • Os sistemas de jogo (3-1, 1-2-1, 2-2 e com goleiro-linha) só são perceptíveis quando a bola está fora de jogo. Com a bola em jogo, a movimentação das duas equipes foi constante, criando situações de superioridade numérica em favor das duas equipes;
  • A arbitragem não teve muito trabalho na parte disciplinar. RCG GARÇA "estourou" o limite de faltas, cometendo cinco faltas no primeiro tempo e no segundo tempo. E recebeu 3 Cartões Amarelos, 1 no primeiro tempo e 2 no segundo tempo.


O conceito de linha da bola e a leitura de um sistema defensivo


O conceito de linha da bola é universal em relação a modalidades esportivas coletivas que se apóiam na idéia de invasão. Dessa forma, faz parte de um emaranhado conceitual ligado aos Princípios Operacionais dos esportes coletivos de Claude Bayer (1994).

Linha da bola é uma linha imaginária paralela à linha de fundo, definida pela posição da bola no campo de jogo. É uma reta traçada de uma lateral à outra do campo, passando por cima da bola, a qual delimita o campo de ação da defesa na intenção de impedir a aproximação e finalização do ataque à meta.

Quanto maior é o número de jogadores de defesa atrás da linha da bola, ou seja, entre essa referência e a meta defendida, menor o espaço de ação dos atacantes, e, ainda, maior é a indução para um passe errado ou um passe para trás. Esse conceito em questão respeita os Princípios Operacionais de defesa de Claude Bayer, busca dificultar a progressão dos atacantes ao campo e a finalização à meta, facilitando o processo de retomada da posse de bola.

Veja na figura a seguir:



Note que a Linha da Bola é demarcada no ponto onde se encontra a bola naquele momento específico, ou seja, ela varia de acordo com sua movimentação. Observe também que os jogadores de marcação (vermelhos) posicionam-se sempre atrás dela, induzindo que o ataque não avance em seu campo e que o passe mais fácil seja o recuado (linha tracejada). Porém, quando um marcador não a respeita, facilita a ação do ataque, visto que além de desocupar uma área entre a bola e a meta defendida, ainda induz não o passe para trás, mas sim, o passe em direção ao gol (linha tracejada)..


Quanto mais jogadores uma equipe posicionar atrás da linha da bola, maior é a compactação defensiva, e maior é a possibilidade de indução de passes errados ou recuados por parte do ataque.

Como já mencionado, em modalidades disputadas em espaços menores, como, por exemplo, o futsal, além de ser mais fácil visualizar essa ação defensiva, é possível que todos os jogadores da equipe que defende possam se postar atrás da referência mencionada, visto que o contra-ataque é facilitado, assim como a proximidade da meta a ser atacada após a retomada da posse de bola.

Normalmente, os atacantes da equipe que marca se posicionam atrás da linha da bola quando a mesma se encontra próxima à meta defendida pela equipe que detém a posse de bola, efetuando a marcação até próximo à metade da quadra, quando perdem a linha da bola. Esse conceito parece óbvio, mas nem sempre é usado. Uma situação comum no futsal é a do jogador que assiste o seu time ser atacado, marcando um adversário que não se encontre entre a bola e o gol defendido. Ou seja, respeitando o princípio de marcação individual, porém esquecendo de proteger seu campo e dificultar o avanço do ataque.

Outra questão pertinente é que de acordo com o número de jogadores que se encontram atrás da linha da bola durante o jogo, pode-se analisar qual é a postura defensiva da equipe. Se ela pretende jogar mais recuada, é natural que posicione a maioria de seus jogadores atrás da linha da bola, visando dificultar a ação adversária próxima à sua meta e deixando livre um espaço para contra-atacar. Se a equipe que defende posiciona poucos jogadores atrás da linha da bola, tem-se uma situação de jogo mais aberto, na qual existe uma maior possibilidade de chutes contra a sua própria meta, porém, tem-se um maior número de jogadores prontos para o contra-ataque. É mais arriscado e exige um melhor trabalho de fixos e goleiros, visto a maior possibilidade de encontros diretos com atacantes com a posse da bola.

Compreender o conceito e aplicação da idéia de Linha de bola se faz um fator importante na armação de um sistema defensivo e também uma ferramenta na leitura da proposta de jogo do time adversário. A compreensão desse conceito facilita a observação e adaptação da equipe ao sistema defensivo da equipe oposta.

Como é um conceito utilizado principalmente em locais específicos do campo de jogo, pode ser ensinado/treinado a partir da utilização de jogos reduzidos, que limitam a ação dos atacantes e favorecem que todos os atletas vivenciem encontrar e posicionar-se atrás da linha da bola, com base na teoria do Transfert.

O treinamento em locais diferentes, e muitas vezes com a utilização de jogos com bola na mão, facilita esse aprendizado. No futsal, de forma mais específica, de acordo com a situação de jogo, se faz mais ou menos vantajosa o posicionamento de muitos jogadores atrás da linha da bola. Visto que em momentos de extrema necessidade de busca de retomada rápida da posse de bola, uma postura defensiva mais arriscada, com os defensores perdendo a linha da bola, pode ser utilizada, embora pouco indicada. Por outro lado, em momentos em que a contenção do jogo e manutenção do resultado sejam o objetivo, o posicionamento de um maior número possível de atletas atrás dessa referência pode ser de grande valia.

As brincadeiras e jogos no processo ensino-aprendizagem do futsal

O brincar sempre estará ligado à aprendizagem, seja de um esporte, da matemática ou do português

O futsal em nosso país é o esporte mais praticado por crianças, jovens e adultos. Esta adesão, muitas vezes, acontece devido à condição social da população, que não tem fácil acesso a centros esportivos ou locais propícios a descoberta e aprendizado de outros esportes. Outro fator importante que reforça a abrangência do futsal é a facilidade com que ele é jogado, pois se faz necessário apenas uma bola, seja ela de borracha, oficial ou simplesmente uma bola de meia.

Mas, às vezes, na ausência do objeto de desejo (a bola), é comum encontrarmos crianças brincando de futsal, por exemplo, no recreio da escola com uma latinha da refrigerante, um copinho de plástico ou qualquer objeto, simulando um jogo. Outras vezes, formam até balizas com materiais também alternativos como mochilas, pedras, etc, para deixar a brincadeira mais semelhante ao jogo propriamente dito. Este tipo de situação é mais comum do que podemos imaginar, pois é necessário apenas criatividade, imaginação, características inerentes nas crianças.


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A criançada, desde cedo, “brinca de jogar futsal”, tendo como maior objetivo satisfazer a vontade de jogar e imaginar-se jogando como seu ídolo. Nas palavras de Freire (2006, p.02):

[...] basta dar uma volta por aí, pelas áreas das praias, pelas quadras de futebol de salão, pelas ruas de terra ou de asfalto, por cada pedacinho de chão onde uma bola possa rolar, o observador atento descobrirá que o futebol para o brasileiro é uma grande brincadeira. Jogar tem sido a maior diversão da infância brasileira, principalmente da infância mais pobre e masculina, dos meninos de pés descalços, das periferias, dos lugares onde sobra algum espaço para brincar.


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No video acima fica evidente o poder da brincadeira, onde duas crianças em sua imaginação transformam um simples jogo em uma partida de futebol, colocando em seu time os jogadores em que se espelham ou desejam ser um dia.
E basta a mãe de José o chamar para dentro de
casa, que ele volta a sua realidade.

No entanto, com o aumento de escolas de esportes e escolinhas, locais que, nem sempre empregam profissionais capacitados para o ensino dos esportes, seja ele professor de Educação Física ou ex-jogador, percebe-se uma preocupação excessiva na execução “correta” da técnica do esporte. Este método de ensino, geralmente, privilegia o mais habilidoso da turma, excluindo aqueles que, por vários motivos, não desenvolveram a técnica fora daquele ambiente, além de trazer à tona o esporte-performance (alcançar seu melhor rendimento) precocemente. Este assunto é abordado mais profundamente em um outro no artigo do grupo - “O desenvolvimento motor dos atletas das categorias de base - a especialização precoce”.

Discordando desta concepção, Freire (2006) enfatiza a necessidade de um ambiente rico em brincadeiras e sem sistematizações rígidas, respeitando e valorizando a os conhecimentos prévios a respeito do futebol, e criando um ambiente saudável e prazeroso para o aprendizado do esporte. Nesse sentido, podemos citar algumas brincadeiras ou jogos que podem ser aplicadas nas aulas de futsal, como: jogo dos 10 passes, mãe da rua, pega-pega, base 4, gol a gol, rebatida, três dentro / três fora, bobinho, bater faltas, linha etc.

Cada brincadeira ou jogo exige a execução de um ou mais fundamentos do esporte, por exemplo, para passes altos e chutes de primeira, podemos utilizar o três dentro / três fora, pois os jogadores têm que trocar passes altos, sem deixar a bola cair no chão, para depois finalizar e tentar marcar o gol. Na rebatida são dois jogadores contra dois, enquanto dois deles ficam defendendo as traves, um dos outros dois chuta tentando fazer o gol. Se houve uma rebatida dos goleiros, um deles irá sair da área do goleiro e tentará roubar a bola dos dois chutadores, para levá-la até a sua área. Nesse caso, trabalhamos finalização por meio dos chutes, assim como na situação de rebatida dos goleiros, acontece um jogo 2X1. Por fim, o mãe da rua adaptado para o futsal, no qual você pode deixar o pegador com uma bola e os demais passando de um lado para o outro saltitando sobre uma perna só, para que o pegador tente capturar mais pegadores conduzindo a bola.

As atividades descritas acima são apenas alguns exemplos do que pode ser realizado, pois existem inúmeras possibilidades de adaptação e modificação para o trabalho dentro do esporte. Estas atividades estimulam a participação e possibilita o desenvolvimento dos fundamentos do esporte, assim como um aumento de respostas motoras, como nos diz Scaglia (apud NISTA-PICCOLO, 2003, p.69):

A exploração do tema pelo lúdico é o momento em que o aluno tem a oportunidade da descoberta, da criação em cima da temática da aula, ou seja, numa brincadeira adaptada, a criança usa seu repertório motor para aprender, desenvolver, criar, descobrir um novo movimento.

Por isso, é importante ressaltar e reconhecer a necessidade das brincadeiras estarem presentes durante as aulas, sendo utilizadas como uma ferramenta pedagógica eficiente e prazerosa, pois se as próprias crianças gostam e realizam as atividades na rua, na escola, nos parques, nada mais justo que transportá-las para o futsal.

O brincar sempre estará ligado à aprendizagem, seja de um esporte, da matemática ou do português. Dessa forma, não podemos transformar o processo ensino-aprendizagem do fusal em uma repetição de movimentos engessada e burocrática, desvalorizando toda a magia, a pureza e a liberdade dos jogos e brincadeiras.


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O sistema de ataque 4.0


A cada mudança da regra, ocorre quase sempre, uma resposta, adaptando-se a nova estratégia, manifestado na evolução permanente dos sistemas de jogo. As movimentações são decorrentes dos técnicos estudiosos, em tentar criar novas atitudes em suas equipes para obter vitórias contra seus adversários.

É importante a observação em torneios e campeonatos e analisar a curiosidade científica de diferentes treinadores, na aplicação das últimas inovações táticas e estratégicas. A evolução do futsal e sua aplicação no sistema pode ser influenciada por distintas culturas ou pela imposição de treinadores.

Esta evolução depende principalmente do estudo contínuo e da realização dos treinadores em suas equipes. Uma vez que se têm uma inovação tática e esta obtêm resultados positivos, normalmente é adaptada por outros técnicos e se torna uma forma de jogo homogénea. O sistema 4.0 não fugiu desta periodização.

HISTÓRICO

O sistema de ataque 4.0 foi levado para Espanha pelo treinador brasileiro António José Azevedo, o "Zego". Zego saiu do Água Branca, equipe paulista famosa, transferindo-se para o Toledo F. S., equipe da divisão de ouro do futsal espanhol, onde implantou o sistema 4.0. No Brasil faz pouco tempo que as equipes adaptaram-se ao sistema de ataque 4.0, isto se deve ao intercâmbio de jogadores e atletas com o futsal espanhol. Equipes como Vasco da Gama (RJ), ULBRA (Canoas), Internacional (Porto Alegre), entre outras equipes, se utilizam deste sistema.
O sistema 4.0 teve bastante adeptos na Espanha devido a padronização de suas quadras, favorecerem sua utilização, pois todas as quadras espanholas medem 40 metros por 20 metros. Já no Brasil por não termos uma padronização de quadras existe uma maior dificuldade para implantação do 4.0.

CARACTERÍSTICAS DO SISTEMA OFENSIVO 4.0


Segundo Sampedro (1997), o sistema ofensivo 4.0 é o mais moderno que existe na atualidade. Sua disposição inicial é formada por quatro jogadores em linha na meia quadra de defesa. Combinar o sistema 4.0 com o sistema 3.1 durante uma partida confunde muito a marcação da equipe adversária.

Para Lozano Cid (1995), se denomina quatro em linha por ter quatro jogadores formados na zona de armação. A partir da introdução do 4.0, aconteceu um desenvolvimento assombroso nas condições dos jogadores, pois estes tiveram que treinar muito para se adaptar ao novo sistema. Várias equipes utilizaram o quatro em linha criando assim novas movimentações e variantes para o sistema.

O sistema ofensivo 4.0 caracteriza-se por:
  • Aproveitamento do espaço defensivo deixado pelo adversário.

  • Utiliza passes encima da defesa, principalmente no espaço livre.

  • É uma formação privilegiada para criar o 2 contra 2.

  • Piques falsos, diagonais, paralelas, bloqueios são movimentações características do sistema.

  • Cortes simultâneos, paralelos e cruzados são importantes para atacar defesas formadas em 1.2.1.

  • Obriga a defesa adversária mover-se constantemente e ter que eleger um tipo de marcação.

  • Muito bom para jogar com ou sem bola.

  • Facilita a metida de bola em profundidade entre os defensores.

  • Sistema necessita de jogadores universais, isto é, que joguem em todas as posições, tanto pela zona central da quadra como pelas laterais da quadra.

  • É um sistema onde o ataque vai evoluindo pela quadra, o ataque começa tanto pelas posições mais recuadas como pelas mais avançadas.

  • Suas opções de ataque são múltiplas, necessitando da coordenação dos quatro jogadores de linha simultaneamente.

  • O sistema requer que os atletas tenham um ótimo manejo com a bola bem como um excelente nível de passe para obter bons resultados.


VANTAGENS DO SISTEMA OFENSIVO 4.0


  • É um sistema muito válido para combater equipes que nos marcam sobre pressão, pois basta um movimento rápido e conseguimos sair nas costas dos adversários.

  • Muito fácil para criar espaços livres.

  • Deixamos a equipe rival sem coberturas e, quando acontece a cobertura, ficamos sempre com um companheiro livre para receber a bola.

  • Se o adversário marca individualmente, ocasiona um grande desgaste físico.

  • Se ganhar na velocidade do adversário, normalmente vai ficar sozinho para concluir a gol.

  • Facilita muito o jogo 1 contra 1.

  • Cria, na frente da meta adversária, uma zona muito boa para finalizações.

DESVANTAGENS DO SISTEMA OFENSIVO 4.0


  • Quando a equipe adversária coloca sua defesa muito atrás, temos muita dificuldade para fazer as infiltrações.

  • Quando jogamos em linha e perdemos a posse de bola não temos cobertura defensiva.

  • Ocasiona um grande desgaste físico, pois para ser bem executado, devemos movimentarmos sem a bola.

  • Para executar o sistema perfeitamente devemos ter um ótimo domínio de bola.

  • Necessita de uma grande sincronização dos atletas de linha para obter resultados.

  • Precisa de um grande número de treinamentos para sua execução. Com isto, não deve ser aplicado em crianças.

  • Quando jogamos em quadras de dimensões pequenas, dificulta sua aplicação.

REGRAS IMPORTANTES PARA O ATAQUE NO SISTEMA 4.0

  • Nunca ter pressa para definir a jogada.

  • Não ficar parado na quadra.

  • Não deixar de olhar para o companheiro que esta com a bola.

  • Nunca achar que a bola está perdida.

  • Movimentar-se nas costas do marcador.

  • Levar o defensor para a posição da quadra que lhe interesse.

  • Antecipar-se ao defensor para surpreendê-lo.

  • Pensar sempre que é mais habilidoso que o defensor para arriscar o drible.

  • Buscar sempre driblar no lado mais frágil do defensor.

  • Ajudar os companheiros com bloqueios e mudanças de direcção.

  • Sempre ocupar a melhor posição na quadra que o defensor.

  • Utilizar-se de fintas de corpo.

  • Passar a bola sempre para um companheiro melhor colocado.

  • Manter sempre a máxima concentração na jogada.

  • Ser generoso com os companheiros na hora de passar a bola.


    MOVIMENTAÇÃO DO SISTEMA OFENSIVO 4 EM LINHA
    (Teoria)

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MOVIMENTAÇÃO DO SISTEMA OFENSIVO 4 EM LINHA

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Diversos fatores levam a prática de Atividades Físicas ! O PROFESSOR não é um desses fatores

Diversos fatores levam os adolescentes à prática de atividades físicas, mas o professor de educação física não é um deles. A conclusão é de um estudo feito por pesquisadores da Universidade do Porto, em Portugal, da Universidade Federal Fluminense (UFF) e da Fundação Oswaldo Cruz, no Rio de Janeiro.

O estudo de revisão da literatura científica publicado na revista Cadernos de Saúde Pública, no entanto, aponta divergências entre as pesquisas que abordam determinantes demográficos, biológicos, psicológicos e socioculturais da prática de atividades físicas entre adolescentes.
Além disso, o trabalho apontou que a condição socioeconômica elevada e a participação da família influenciaram positivamente a prática de atividades pelo adolescente. O dado mais preocupante foi que o professor de educação física pareceu não representar um fator propiciador da atividade física.

“É importante perceber que um comportamento tão complexo e multifatorial, como é a atividade física, não é explicado por uma única variável, ou por uma teoria interpretativa qualquer. Uma conclusão bem relevante das pesquisas epidemiológicas de natureza analítica é que, da variável total da atividade física, a percentagem atribuída aos fatores determinantes se situa entre os 10% e 30%”, afirmou um dos autores do estudo, André Seabra, professor da Faculdade de Desporto da Universidade do Porto, à Agência FAPESP.

Formar ou Detectar Talentos ?

O argumento básico de qualquer um que tenha como principal objetivo a conquista de resultados imediatos é de que se faz necessário detectar talentos na escola a partir de testes que mostrem o perfil biológico dos alunos. A através da idéia de que após esses dados serem tabelados, torna-se possível fazer um comparativo com um banco de dados e verificar aqueles que são acima da média populacional (na realidade, a média não é exatamente o índice utilizado para esse tipo de pesquisa).

Digo antes de me alongar no assunto que defendo a integridade da escola como local de socialização de conhecimentos e não abro mão da aula de educação física em detrimento de escolinhas de esporte e muito menos para utilização de projetos de “detecção de talentos”. O espaço da escola não é para isso.

Detectar índices a partir de testes biológicos pode, com certeza, auxiliar no processo de encontrar pontos fora da curva para aqueles determinados testes, porém, será que basta isso para determinar se aquela criança é um potencial talento? Será que esses testes com características tão fechadas e fragmentadas realmente tem alguma serventia?

Trago em discussão, dessa forma, a importância que os fatores biológicos advindos da idéia do inatismo, como por exemplo, a estatura e a estrutura muscular potencial de uma criança e a velocidade, têm para a boa formação esportiva, porém não depositando as fichas de que apenas isso é necessário. Pois além desses fatores, o desenvolvimento cognitivo do aluno, para a resposta aos problemas que o jogo lhe impõe, através de uma metodologia de ensino que valorize essa característica, sem contar nas questões sociais, emocionais, psicológicas e a complexidade de relações entre essas capacidades inerentes a todos ser humano, são necessárias.

Dessa forma, pensar que talentos podem ser encontrados através de testes motores é excluir a idéia de que o ser humano é bem mais complexo do que correr, saltar, alongar e empurrar - protocolo da maioria desses testes.

Outro agravante - em menor grau, em minha opinião - e o fato de que fatores maturacionais podem por vezes interferir nesses testes apontando como “talento” apenas uma criança com índices maturacionais desenvolvidos de forma prematura em relação à sua faixa etária, desenvolvendo por vezes índices de força maior que outros, o que com certeza irá alterar os resultados dos testes utilizados.

Quantas vezes, não tivemos um aluno em nossas mãos que de antemão, devido ao seu “talento”, traçamos seu futuro como esportista, acreditando que ele faria do Futsal o seu futuro devido ao grande diferencial que ele possui entre os jogadores de sua categoria, mas que com o passar dos anos, passa a ser apenas “mais um” dentro do quadro de jogadores de Futsal da região?

Geralmente esse desapontamento ocorre pelo fato de deixar à regalia do próprio aluno a aprendizagem do futsal, pois a velha máxima “em time que ganha não se mexe” passa a prevalecer, agora sob outra ótica: “se o jogador é talentoso, melhor não atrapalhar”.

Ora, isso é abrir mão de nosso papel como professores/treinadores de Futsal. É por isso que “jovens talentos” por vezes acabam não chegando aos níveis de jogo esperado.

Um dos maiores crimes que cometemos no Futsal é termos em mão um jovem jogador “talentoso” - entendam, mas alto que a média de sua idade, mais forte que a média de sua idade, mais coordenado que a média da sua idade, com maior capacidade reativa que a média da sua idade - e darmos para ele a seguinte incumbência em treinos e jogos: “Parte pra cima” “ Chama o jogo e decida” fazendo-o dessa forma achar que jogar Futsal é isso.
Temos que refletir!

O professor de futsal que trata com crianças tem que ter claro o seu papel
de educador, tendo sempre primeiramente o intuito de formar cidadãos e depois a FORMAÇÃO de jogadores.

Iniciação Precoce








Assistindo o vídeo acima se percebe que o esporte vem ocupando um espaço cada vez maior na vida das pessoas, especialmente das crianças e dos jovens.
A influência dos eventos esportivos divulgados com grande freqüência pelos meios de comunicação, a identificação com ídolos, a pressão dos pais e dos amigos e a esperança de obter sucesso e status fazem com que um número crescente de crianças inicie sua prática cada vez mais cedo. Treinar, competir, vencer, prêmios, são palavras comuns no cotidiano dos jovens que praticam esporte ou que o vislumbram como grande possibilidade de sucesso (DE ROSE JR, 2002).

Toda prática esportiva oferecida às crianças e aos adolescentes é permeada por ações adultas - dos pais, dos dirigentes, dos professores, dos técnicos, dos árbitros; todos interferem de alguma forma nas experiências esportivas de seus praticantes. Essa influência não diz respeito simplesmente aos comportamentos e às atitudes dos adultos no momento da competição, mas também aos valores e aos princípios que norteiam a forma como o esporte é ensinado e praticado (KORSAKAS, 2002).

A pedagogia do esporte não se resume a métodos de treinamento é mais complexa (princípios, objetivos, estratégias, comunicação, conteúdos, sensibilidade, diálogo com o sistema humano). Valores que permeiam o competir, como participação, alegria, entrega, cooperação, perseverança, auto-estima e o próprio aprendizado técnico e tático, raramente são considerados relevantes (...). O que se pode discutir, e talvez isso seja relevante, é o tratamento que os professores dão à competição (SANTANA, 2004).

Ainda, em alguns casos, contrapondo-se ao esperado - tratar pedagogicamente o esporte -, os especialistas freqüentemente utilizam uma pedagogia pautada em referenciais de rendimento - conquistas, quebra de recordes, resultados imediatos. Logo, uma pedagogia preocupada menos com educação e complexidade e mais com a descoberta e revelação de talentos (SANTANA, 2004).

Desvinculada de uma finalidade educacional, a pedagogia dos professores especialistas em esporte na infância deixa a desejar. Penso que os especialistas devem reconhecer a conexão entre esporte na infância, educação e complexidade (SANTANA, 2004).

O início da participação da criança no processo competitivo pode variar de acordo com o esporte praticado, chegando-se, em determinados casos, a registrar a participação de crianças de 3 anos competindo em ginástica e natação (DE ROSE JR, 2002)

.Fomentar entre crianças desde cedo a idéia de tornarem-se campeões e craques necessariamente não as tornaram, e quem responsabilizar-se-á pelas conseqüências? Há indícios de que muitas são as crianças que iniciaram precocemente no futsal e, por uma lesão grave, estresse de competição, treinamento, desinteresse, saturação, o abandonaram também precocemente. Será que esse fato, por si só, não coloca em dúvida a metodologia adotada? (SANTANA, 2001).

Se analisarmos os fatores mais importantes dessa realidade absurda, teremos "a mentalidade competitiva, obrigatoriedade por títulos e cobranças dos adultos em relação às crianças (MUTTI, 1995), a sustentação no esporte da competição e mais, da vitória como prioridades" (FREIRE, 1993).

A verdade é que, no momento em que naturalmente vai acabando a submissão da criança ao pensamento dos adultos, isso na segunda infância, e ela pode decidir o que quer fazer, ela pára com o esporte. Isso não é absolutamente preocupante? Por si só, não é motivo suficiente para repensarmos o processo de iniciação esportiva da criança? E pensar que esse sujeito, desistindo do esporte na infância, tenderá a não praticá-lo por toda sua vida. Tenderá a não incorporá-lo à sua cultura. Tenderá a não praticá-lo nas suas horas de lazer e entretenimento.
No caso de possuir talento, não poderá usufruir do seu ápice esportivo como atleta da modalidade, que acontece mais para frente, dos vinte e quatro aos vinte e sete anos. Nem poderá fazer parte de um grupo privilegiado que pratica o Esporte-Espetáculo e até vir a fazer dessa atividade sua profissão (SANTANA, 2001).

Em última análise, os inconvenientes causados pela especialização esportiva precoce e a excessiva competitividade (lesões, estresse, saturação...) afastam a criança da prática esportiva. E o que menos se deseja é esse afastamento.
É triste deparar com crianças intranqüilas, atingidas por conflitos e / ou lesões e, por isso, desistindo ou sendo impedidas de fazer esporte. Já é tempo de nos perguntarmos: (...)
O sistema permite (ou ignora) as conseqüências de uma prática inadequada? Procede ao Professor (a) ou Técnico (a), pais, ou quem quer que seja, reduzir a criança a um mero objeto produtor de resultados, a um potencial, promessa esportiva e depositar na mesma suas aspirações, seus desejos e vontades?
  • Será que no Futsal isso acontece?
  • Será que esse esporte é realmente capaz de contribuir para a educação dos indivíduos?
  • Como pode uma prática com fins educativos pautar-se na seleção e na especialização de poucos, ser excludente por essência, dando-se o direito de escolher aqueles que terão acesso aos seus benefício?